Domingo, 19 de Maio de 2013

Flores da rua


 
Cada vez há mais flores nas bermas dos caminhos, na beira das estradas por onde passam camiões, automóveis com cavalheiros que param para as colher.
Poluição social.
Flores desenraizadas, sem húmus para viver. Entre as pedras procuram a força necessária para o seu desabrochar. Terão uma existência curta e serão pisadas e serão cuspidas, maltratadas, arrancadas ao seu meio ambiente.
Serão flores murchas sem jardim.


foto e texto de Benó

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Escadas da vida


 
Escadas que se sobem.
Escadas que se descem.
Degrau a degrau, sem canseira nem cansaço, vais subindo a escada da vida, passo a passo.
Nalguns patamares na subida, paras e às vezes desces.
Prossegues, a subir ou a corrigir o teu caminhar para mais rápido ou mais devagar.
Quando a corda do relógio da vida se partir, descansarás então.
Os teus sonhos serão asas e voarás.

Haverá mais uma estrela no céu.

Sexta-feira, 10 de Maio de 2013

Livros


                                                                                             imagem da net
 
 
Livros amigos que me contam baixinho todos os seus segredos. Com eles derrubo gigantes, enfrento tempestades, choro e rio. Medito e sonho, avanço no futuro e volto ao passado, tudo isto estes amigos me oferecem sem pedir nada em troca. Não se queixam se deles me esqueço abertos ou fechados sobre qualquer mesa ou cadeira, não reclamam se, momentaneamente, os troco por dois dedos de conversa com as amigas.

Por vezes, fico pelo meio do assunto descrito, não consigo ouvir até ao fim as histórias que me estão a contar. Interrompo um, começo outro ou tenho dois e três no colo dedicando-lhes a mesma atenção, ouvindo-os alternadamente e com o mesmo interesse. Não são ciumentos nem um quer ser mais que o outro.

Os livros preenchem os meus momentos de solidão. Com eles não há espaços vazios dentro de mim. As suas letras são palavras que compõem o meu viver, o meu estar neste Jardim d'abrolhos

Segunda-feira, 8 de Abril de 2013

POINSÉTIAS




Estas poinsétias foram oferecidas pelo Natal. Não estavam sobre este móvel mas no chão num recanto bem iluminado e acompanhadas por algumas orquídeas. O Natal já passou, a Páscoa igualmente, mas elas continuam oferecendo a sua beleza colorida e por isso, achei que tinham direito a uma foto para o blogue. Quero transferi-las para o jardim, mas não sei bem qual a melhor altura para o fazer. Se alguma das minhas visitas me souber esclarecer, agradeço e, certamente, as poinsétias também.

Sexta-feira, 5 de Abril de 2013

AMARILIS





Os amarílis entre a sombra e a luminosidade branca da parede vão resistindo aos ataques dos caracóis que todas as manhãs  caço para os colocar onde devem estar: no campo a pastar e não no jardim a comer flores.
Da terra brotaram. Do sol se alimentaram. Beberam a água da chuva e com a sua beleza vermelha
vibrante me encantam todos os anos numa grande saudação à primavera.




foto e texto de Benó





Quarta-feira, 27 de Março de 2013

Por detrás das gelosias


 

 
Por detrás das gelosias há segredos não contados. Vidas secretas, discretas.

Por detrás das gelosias espreita-se a rua, as vizinhas que param e conversam numa perda de tempo sem fim, os beijos atrevidos dos namorados, o cão que ladra à bicicleta que passa e o gato que afia as unhas no tronco da árvore.

Por detrás das gelosias suspira-se e aguarda-se a chegada do carteiro. Sonha-se com a carta há tanto desejada, há tantos dias para chegar.Suspira-se de saudade por alguém que partiu prometendo voltar. Há mundos de esperanças que olham para a rua.

Vê-se tudo que se passa lá fora, indaga-se interiormente, cogita-se mas não se abre as cortinas por detrás das gelosias. Os sonhos continuam dentro da  casa com as cortinas corridas.
 
foto e texto de Benó.

Quarta-feira, 20 de Março de 2013

As folhas









As folhas rodopiam numa dança coletiva em que vão todas ao centro como num baile mandado e numa corrida rápida fogem para se voltarem a juntar e rodopiar em ritmo ora suave ora acelerado, onde todos os elementos se entregam e se abraçam.


Assim, as mãos se procuram e se encontram, se escondem e entrelaçam, desunem-se e se afastam, se atraem e apertam para, enfim, desfalecerem inânimes junto aos corpos húmidos e cansados de tanto corridinho.




foto e texto de Benó