domingo, 20 de Julho de 2014

Ausencia





Dei  uma volta e verifiquei que há mais de 30 dias não venho postar no Jardim d'abrolhos.
Talvez não tenham dado pela minha falta mas eu sinto a ausência da escrita.
Não sei quando voltarei com a regularidade que gostaria mas, penso que, com a chegada do outono, a minha estação preferida, possa, enfim, retomar as atividades que gosto: pintar e escrever.

Até lá, com este dizer de Maria Antonieta no livro "As Luzes de Leonor":

"É na desgraça que melhor sentimos o que somos"

domingo, 15 de Junho de 2014

Analogia


 
 
 
 
Para lá da terra seca e árida há a frescura do verde mar, meu abrigo e refúgio em dias de vendavais interiores.
 
 

fotos e texto de Benó

sábado, 31 de Maio de 2014

Ondas na praia

 
 

 
 
 
Como cavalos selvagens a correr desenfreados num campo sem barreiras, as ondas cavalgam desordenadas em direcção ao areal. Abafam o leixão, mais à frente afogam os pequenos ilhéus agora desnudados e, espumosas numa raiva incontida estendem-se em grossas línguas sobre as pedras soltas que num vaivém rebolado emitem um queixume dorido e saudoso das areias finas e douradas que as cobriam.
 
fotos e texto de Benó

 

sexta-feira, 23 de Maio de 2014

Brinquedos



Nos dias que correm apressados, os pais veem-se confrontados com a falta de tempo para dedicar aos filhos, às suas brincadeiras, aos seus pequenos problemas. O simples ato de por a mesa, levantar os pratos é uma boa ocasião para se conversar, se rir, se inteirarem de como foi o dia de uns e de outros. Por de lado os jogos eletrónicos, brincarem mas não esquecendo, nunca, que além de companheiros de brincadeira, os filhos querem que os seus pais sejam PAIS para os aconselharem, os protegerem, os amarem acima de tudo.
Li a frase que ilustra a foto, algures por aí, e achei-a de uma pertinência atual que não resisti a publicá-la.

segunda-feira, 5 de Maio de 2014

O portão verde

 
De setas apontadas às alturas existe um portão de ferro pintado de verde, cor da esperança, fechado, sem chave nem cadeado, nem trinco, nem aldraba.
 
 
 



Ornado de corações deixa ver o verde/amarelo das ervas que cobrem a terra castanha, matriz das sementes que eclodirão em breve, com a chegada dos primeiros calores que poderão entrar sem qualquer impedimento. Por ele e sobre ele, a chuva passa, entra e sai só ou acompanhada pelo vento seu companheiro nestes dias. Também as nuvens fazem-lhe um adeus rasante numa corrida louca empurradas pelos soprares eólicos ou em mansos passeios e devaneios exibindo as suas formas inconstantes e sensuais numa atrevida provocação feminina



 
É um portão de ferro pintado de verde, sem história mas com muitas histórias para contar de gentes passantes, visitas ocasionais,  jovens ou velhos que a ele se arrimam para um descanso das caminhadas ou dos anos que já pesam nas pernas de quem muito percorreu e viveu.
 
texto e fotos de Benó

terça-feira, 29 de Abril de 2014

Zangas

                                                                                                              foto da net


Folhas mortas, folhas secas que o vento arrancou. Soltas, esvoaçam pelo ar ou pousam no chão onde serão pisadas, desfeitas em pó que o vento espalhará.

Há palavras que quando libertadas podem ser usadas em arremessos violentos nas fúrias ventosas dos desencontros da vida ou podem vogar no ar ao sabor arrítmico das brisas quando reina a calmaria no espaço da vivência.

Folhas secas, palavras rudes, ambas são material de combustão fácil, capazes de provocar chama se caírem em sítios pouco cuidados onde as atenções à sua intrínseca manutenção foram esquecidas no vaivém sempre igual das rotinas costumeiras. Aí tombadas, folhas ou palavras, rapidamente se criam condições para que fortes labaredas irrompam num braseiro destruidor.

Palavras duras como pedras, afiadas como setas, doridas e sofredoras atiradas como dardos certeiros ao alvo escolhido, ouvidas ao acaso, entre bicas e pastéis de nata, no burburinho dum café, pouso de gente de longe, onde as folhas não entraram mas os verbos soaram no presente, esquecido que estava o passado sem futuro desejado pelos intervenientes da peleja.
 
texto de Benó


terça-feira, 22 de Abril de 2014

Cinzas

 
 
 
Hoje são cinzas cinzentas, frias, mortas.
 
 
 
Ontem,  foram brasas escaldantes, rubras, cheias de calor, de vida, exímias executantes de danças feitas de abraços e desabraços, sempre num constante sobe e desce, tais  bailarinas em complexas coreografias  a rodopiar nos braços dos seus pares.

Como se fossem gente, elas aqueceram, iluminaram, foram fogo, foram chama, labaredas dançantes no palco da vida.

Apagou-se a lareira, morreram as chamas, arrefeceram as cinzas mas ainda resta um pouco de calor  na sala arrefecida.



fotos da net
texto de Benó