terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Lembranças

 
Mãos que viajaram europa adentro sentiram outros tatos, mergulharam noutras águas, dedilharam outras músicas, ensaiaram outros gestos, acenaram despedidas. Mãos que se fecham para guardar as gargalhadas das crianças, os afetos que recebem, a felicidade que merecem, mas que se abrem para espalhar felicidade, amor, vontades traçadas num querer sem esmorecer, afagam, seguram e amparam.
Trouxeram-me lembranças que são carinhos.
 
 
Praga

 
Vaticano
 
                                                                                                                          Obrigada, meus filhos.
 

sábado, 30 de Agosto de 2014

Verão




Estás de partida, verão morno sem calor. Levarás contigo recordações das horas vividas entre amigos que vindo de longe encheram de alegria os momentos mais solitários deste Jardim d’abrolhos por onde descanso. As folhas iniciarão a sua dança ao som da orquestra que o outono transporta consigo deixando vazias as mãos que tentam agarrá-las numa tentativa de retardar a sua nudez.

Daqui a uns meses, não muitos, voltarás igual, mais quente, mais ventoso, sorridente ou não, serás a estação onde os comboios despejam sonhos, esperanças, ilusões.

 Inicia a tua caminhada para outras terras onde verás outras gentes de outras cores, com outros costumes e hábitos. Brevemente, ficará frio e o Jardim estará mais verde sem o colorido das flores que agora o enchem de alegria e, eu sentar-me-ei à lareira sonhando, talvez, com as risadas que ainda se ouvem pelos canteiros.
 
foto e texto de Benó

segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

Segurança



Os passeios fizeram-se para as pessoas caminharem em segurança mas parece que também as bocas de incêndio e os sinais de trânsito precisam dela.
Nota: Tenho um emplastro de publicidade colocado na mensagem anterior a esta que não deixa ter acesso ao  Jardim d''abrolhos. Veremos se com esta nova mensagem ele se descola.

segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

A lua gorda

A lua inspiradora de várias coisas quis brincar comigo. Com a máquina fotográfica fiz-lhe a vontade e por entre árvores e arbustos consegui fixá-la.
 
 
 Começou por aparecer  grande e brilhante, radiosa na sua luminosidade.


 Já vinha cansada de percorrer tanto céu e resolveu descansar sobre as folhas do arbusto



 Farta de ser redonda apeteceu-lhe virar cogumelo.


 Acabou por ir embora, rápida, numa fugida.
Pequenina entre  as folhas da palmeira despediu-se.


                                     

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

Casos ao acaso

 
 

Conversas ouvidas por acaso, ao acaso, numa qualquer esplanada vendo o ocaso do dia escolhido ao acaso, entre os muitos que, por acaso, povoam as minhas tardes.

Entre as “imperiais”, as pevides e os tremoços estrondeavam gargalhadas, chasqueava-se e o divertimento parecia reinar sobre as mesas redondas, numa brincadeira de larga e pega.

O grupo era pequeno em número mas grande na boa disposição que mostrava. Todos exibiam nos seus corpos elegantes, aquele invejável bronzeado que o bom sol algarvio oferece. Elas, de shorts, bem shorts, esfarripados, abaixo do umbigo ornado com um “piercing” e eles de bermudas naqueles padrões que fazem lembrar os indígenas do Havai. Elas ostentavam os seios resguardados em tops ousados, eles exibiam t-shirts de marcas superconhecidas.

Os temas que originavam a boa disposição eram diversos, ocos, vazios de interesse para mim que os escutava enquanto bebericava o sumo de laranja da manhã.

O livro que leio, actualmente, era um mero adorno pousado sobre a mesa, pois à minha volta as conversas, de tão abstractas, prendiam-me e eu tentava registar expressões, frases, os gestos de quem falava ora agressivamente, ora com doçura e suavidade para encontrar o que eu chamo de substancia, naquelas reuniões de ocasião.

Um dos meus passatempos, neste mês de Agosto, é deixar o Jardim d'abrolhos e sentar-me numa qualquer esplanada, ao acaso, a observar a fauna que nos visita  ouvindo-a falar sobre temas sem tema. Recolho, sempre, matéria para muita escrita.
 
foto e texto de Benó

terça-feira, 29 de Julho de 2014

Leituras ao acaso

 
 
 
 
Numa manhã de descanso, peguei neste livro, abri, aleatoriamente, numa qualquer página e li:
"Não me preocupa o meu marido ou o que lhe possa acontecer com os estranhos, não me preocupa que a manhã chegue ou não chegue embora haja menos móveis de dia que de noite e a casa em que não confio finja que me aceita não tentando expulsar-me, aprendi à minha custa a não acreditar nas casas sempre a enxotarem-nos para a rua ou a cercarem-nos de tralha..."
Fechei o livro e os olhos. Eu preocupo-me.

domingo, 20 de Julho de 2014

Ausencia





Dei  uma volta e verifiquei que há mais de 30 dias não venho postar no Jardim d'abrolhos.
Talvez não tenham dado pela minha falta mas eu sinto a ausência da escrita.
Não sei quando voltarei com a regularidade que gostaria mas, penso que, com a chegada do outono, a minha estação preferida, possa, enfim, retomar as atividades que gosto: pintar e escrever.

Até lá, com este dizer de Maria Antonieta no livro "As Luzes de Leonor":

"É na desgraça que melhor sentimos o que somos"