segunda-feira, 12 de dezembro de 2016




Para as visitas habituais, para as visitas ocasionais, para as visitas curiosas, o meu voto sincero de BOAS FESTAS!

Um Natal cheio de PAZ, muito AMOR e muito PERDÃO para todos os que fazem da maldade o seu dia-a-dia.

Que os vossos corações se encham de LUZ e BONDADE!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Há Gargalhadas no Ar.

                                                                                        

                    
Na esplanada, gozando do morno sol duma manhã outonal, meia dúzia de gentes entregam-se à leitura das notícias da impressa nacional – DN, Público, CM, Expresso, ou noutro escrevinhar  diferente do nosso, Daily Telegraph, Financial Times, Le Figaro. Há um silêncio de biblioteca instalado por entre as mesas, somente afastado por algum comentário verbal de um ou outro caso mais relevante e que o leitor achou por bem salientar.
Num cenário oposto, na sala contígua à esplanada, ecoam gargalhadas. São 3 jovens, duas são brasileiras e a outra é colombiana que conversam e divertem-se lançando para o ar a melodiosa amostra da sua jovialidade e boa disposição como se um rio liberto das suas margens corresse por sobre os seixos do seu leito.
São mulheres novas, a trabalhar neste país distante da sua pátria, longe de pais, irmãos, amigos, mas, que não deixam, por isso, de expressar alegria em gargalhadas claras e bem audíveis, mesmo que o seu amanhã seja incerto e o sol não tenha calor.
É a juventude e a juventude é feminina, com beleza, alegre como um jardim florido onde as borboletas esvoaçam livres e coloridas. Não há lembranças do que deixaram não há apreensões para o futuro. Apenas desfrutam o presente que é hoje, aqui e agora.

Foto da net.
                              

sábado, 19 de novembro de 2016

Espero-te




Quando, amanhã, vieres visitar-me não tragas flores nem chocolates. Traz-me um canteiro de sorrisos e a doçura do teu olhar. Veste a tua blusa de renda e a saia de roda com a qual me enredaste. Traz raios de sol na tua bolsa, aquela azul da cor do teu olhar.
Quando, amanhã, vieres visitar-me não me tragas a travessa de arroz doce enfeitado com canela, deixa que eu me delicie com o doce néctar da tua boca.
Não me tragas brilhantes e maduros frutos, dá-me o brilho do teu sorriso.
Quando amanhã vieres visitar-me não tragas a garrafa de licor, com que brindávamos cada beijo trocado, deixa que me inebrie com as tuas gargalhadas.

Não quero tigelas de marmelada nem fatias de pão de ló, mas, sim, aspirar o perfume adocicado que do teu corpo emana.
Lembras-te daquela tarde de outono? Só nós dois na sala, o vinil rodava no velho gira discos e, no ar, a voz rouca, inconfundível do Cohen e nós dançávamos, dançávamos numa perfeita simbiose dos nossos corpos. 
Vem.
Vamos amar e recordar.
Porás a música a tocar, e os dois, enlaçados num único abraço,  rodopiaremos ouvindo “Dance me to the end of love”, enquanto o mar, lá fora, cantará num chamamento às estrelas-do-mar.
Espero-te!


foto e texto de Benó

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A terra treme





A terra tremeu, a terra treme, longe, noutros mundos.  Onde se erguiam casas há escombros, ruínas. O desfazer de lares que eram abrigos traz as gentes para a rua assustadas, temerosas.  Perante uma causa que desconhecem apelam para o divino, clamam ao além, levam as mãos à cabeça sem perceberem porque tal lhes acontece. Fogem, talvez de si próprias sem saberem se o seu mundo voltará a tremer. Não sabem para onde ir, nem como se proteger.


Abandonadas pelos caminhos ficam as pedras, restos de paredes, de tetos que albergaram risos, alegrias; pedaços de chãos que suportavam o peso das mesas onde não faltava o pão de cada dia, a água, o vinho.


Mas depois de terem perdido todos os seus bens materiais,  restará a esperança, uma corda de salvação para se agarrarem com a força necessária para recomeçar, para refazer os sonhos, uma nova vida, mesmo que a família tenha partido e o isolamento seja a única companhia.
Aprenderam que nunca é tarde.
O querer fará a fénix renascer.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Um cesto de sonhos




No cesto, os novelos de fios coloridos esperam a vez para, malha a malha, ponto a ponto, se transformarem em mantas que irão aquecer os corpos nos dias frios deste inverno que se aproxima. Ao mesmo tempo serão tecidos sonhos e ardentes esperanças nos desejos que ficaram em espera no longo decorrer da vida.

Enquanto a manta cresce, os novelos diminuem e os desejos formam-se num  interminável tecer de ambições com a força do querer e da vontade do ser.

 Azuis, brancos, amarelos, verdes mais escuros ou mais claros os fios dos novelos são o matiz colorido das nossas utopias. Elas viverão connosco enquanto o sol nos aquecer e as estrelas nos fizerem sonhar, enquanto houver primavera em nossos corações, enquanto acreditarmos na justiça e no perdão, enquanto a humanidade se orgulhar da sua qualidade de ser superior.

Deixemos que a manta cresça sem pressa, colorida, a um novelo outro se seguirá e os nossos sonhos perseguirão a busca do arco-íris.
Esperemos que a utopia se torne realidade.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Fogo sobre o mar







Céu em fogo sobre o mar no outono da nossa existência.

As nuvens vermelhas lembram as paixões que se incendeiam, enovelam e sobem como labaredas duma fogueira para o espaço livre, etéreo, pairando sobre o mar que as refresca e as acalma.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Outro café.








Senta-se, como habitualmente, à mesa colocada junto à grande janela da cafetaria do largo, onde, todas as manhãs, toma o café  em chávena escaldada, servido pelo empregado que já conhece os seus hábitos.

 A pequena garrafa com água fresca descansa junto ao copo ainda vazio. Traz sempre um livro como companhia mas, antes de se meter na complexa dança das letras, gosta de olhar em redor analisando os diversos tipos de pessoas que ocupam as outas mesas. Na generalidade são jovens que desconhece, são tagarelas e alegres como se depreende pelas risadas que ecoam alto cortando o ar perfumado pelo odor adocicado dos bolos vindo da cozinha, fábrica de pasteis de nata e outras doçuras.

Bebe o café dum trago, sem açúcar nem adoçante.  Ali, sentada à mesa do café, rodeada de jovens, ouvindo as suas conversas e as suas gargalhadas esquece as  artroses e tendinites que começam a atormentá-la,  esquece os desaires que afligem a humanidade, a fome, a guerra,  as mortes no Mediterrâneo tão azul e tão perto, os atentados em nome duma religião praticados por gente que só sabe matar sejam crianças ou não e recorda com um sorriso os seus sonhos e ambições pessoais, a sua juventude vivida ali mesmo, na calma terra onde nasceu, cresceu e se fez mulher, num tempo em que tudo se passava vagarosamente e as calamidades externas não chegavam ao conhecimento deste povo que vivia isolado do resto da europa.

Agora, numa total abertura a todo o mundo, em que comodamente instalados em casa ou à mesa dum café se pode ver em direto as guerras dos outros no preciso momento em que estão a acontecer, começa a crer que o desejo num amanhã mais equitativo em que todos se possam entender e a ambição desmedida não suplante a boa vontade duma igualdade mais justa não passe dum sonho impossível.

-Outro café, faz favor! – Bem forte!