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Livros amigos que me contam baixinho todos os seus segredos.
Com eles derrubo gigantes, enfrento tempestades, choro e rio. Medito e sonho,
avanço no futuro e volto ao passado, tudo isto estes amigos me oferecem sem
pedir nada em troca. Não se queixam se deles me esqueço abertos ou fechados sobre
qualquer mesa ou cadeira, não reclamam se, momentaneamente, os troco por dois
dedos de conversa com as amigas.
Por vezes, fico pelo meio do assunto descrito, não consigo
ouvir até ao fim as histórias que me estão a contar. Interrompo um, começo
outro ou tenho dois e três no colo dedicando-lhes a mesma atenção, ouvindo-os
alternadamente e com o mesmo interesse. Não são ciumentos nem um quer ser mais
que o outro.
Os livros preenchem os meus momentos de solidão. Com eles
não há espaços vazios dentro de mim. As suas letras são palavras que compõem o
meu viver, o meu estar neste Jardim d'abrolhos