sábado, 10 de janeiro de 2015

Cinzento colorido


 
A vila mergulha num sossego parado, neste mês frio de Janeiro. É a altura ideal para revisitar locais  que, por estarem perto, quase nos esquecemos da sua existência e da beleza que nos oferecem.
Foi o que aconteceu num dia cinzento, sem sol, em que os olhos pediam vistas diferentes para além das árvores despidas do jardim.


A praia do Zavial onde alguns surfers se entretinham nas pequenas ondas foi a nossa primeira paragem.

 
Foi uma pena  o restaurante estar fechado  mas é o que acontece à maioria destes estabelecimentos de beira-mar.
 
 
A praia da Salema 
 
Com um bote que tem o nome duma localidade angolana
 
 
 
Terminámos na praia da Boca do Rio onde algumas autocaravanas permanecem por tempo infinito. Sossego e beleza natural, mar e terra, numa simbiose perfeita encontra-se ali em qualquer altura do ano .
 
 

                                                          fotos e texto de Benó
 
 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Gaivotas na areia

 
Num dia cinzento, com um céu sombreado por nuvens grossas, escuras a prometer chuva, as gaivotas descansam na areia molhada da praia da Salema e conversam entre si, talvez sobre a falta de peixe que as faz passar fome.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Frio







Um denso manto de nuvens cinzentas cobre a cidade e o frio, com uma certa brejeirice, abraça homens e mulheres cujos corpos ainda frescos não se prepararam para o receber e sem qualquer resguardo passam apressadamente pela rua no desejo de chegar a casa.
O vento tornou-se bailarino com movimentos incontrolados na execução de danças violentas e agrestes. Toma para parceiras as folhas que arranca ao arvoredo que bordeja a alameda e quer sejam grandes ou pequenas elas volteiam no ar, arrastam-se pelo chão, escondem-se debaixo dos carros para reaparecerem sobre outros mais à frente.

As árvores, num erguer e baixar dos seus braços semidespidos, imploram que o vento se acalme e, quando as nuvens grossas e pesadas se abrem num alagamento sobre a terra sequiosa, o vento abranda e fica só o seu assobio ao passar mais calmo, pelas esquinas.
Há o latir dos cães amedrontados, o miar dos gatos no chamamento das fêmeas e nem mochos nem corujas se fazem ouvir nesta noite fria.

Só o vento geme e o céu chora.
Por momentos, o fogo duma lareira ajuda a esquecer a agressividade dos elementos que reinam para lá das portas, para lá das paredes.

 
texto e foto de Benó

 

 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Pescadores

Sossego e paz eram os seus sentires naquela manhã clara em que tinha decidido sair, apanhar ar, desanuviar a cabeça.
Andava no ar aquele cheiro especial da beira-mar quando o mar se encolhe e mostra o verde dos limos que cobrem as pedras antes escondidas. Respirou fundo, até encher os pulmões de frescura e o coração de alegria.  
O sol brincava com os bocados de nuvens que se tinham esfrangalhado, sabe-se lá porquê, num esconde-esconde de criança e nas rápidas aparições, punha sobre as águas translúcidas daquele seu mar, pequenas manchas prateadas que a obrigavam a semicerrar os olhos tal era a  intensidade de luz.
Ao longe, sobre as lajes polidas e escorregadias, lá estão os vultos do pai e do filho que tentam a sua sorte na pesca. O pai ensina e o filho aprende pois até parece fácil colocar o isco, fazer o lançamento, esticar a linha, enrolar o carreto, mas, os peixes já não se deixam enganar facilmente e o regresso a casa faz-se, quase sempre com o cesto vazio.
Não importa se em vez de escamas trouxeram um "chibo",  pois o que realmente lhes interessa e dá prazer é estar juntos, conversar, rir, partilhar ideias e transmitir saberes. 
Os mais pequenos também possuem  conhecimentos que gostam de dar a conhecer aos mais velhos.
 

foto e texto de Benó

sábado, 8 de novembro de 2014

Rio sem margens



Abro as mãos, volto-as ao sol, ao infinito na tentativa de apanhar a luz deste dia calmo.
Que recolho? O vazio.
Enterro as mãos no areal, sinto a frescura do mar e quero retê-la mas, ela como a areia escapa-se entre os dedos. O que fica? Nada.





Tento pensar e as ideias são como águas agitadas dum rio correndo sem margens. Afastam-se, diluem-se num infinito alagamento.


texto e foto de Benó.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Mata Mágica

A mata tinha manchas de sol onde as borboletas rodopiavam ao som de valsas tocadas pelo deus Pã na sua flauta mágica. Nas manchas escuras, nas sombras dos pinheiros onde a luz não penetrava, habitavam os duendes. Eram audíveis os sons das suas brincadeiras e as suas alegres risadas subiam pelo ar num desejo de liberdade mas acabavam por ficar dependuradas nas árvores e só se soltavam quando alguma pinha ou folha arrancada pelos suspiros de Éolo senhor dos ventos, tombava no chão. Muito traquinas são os duendes.
Repentinamente, miríades de pirilampos iluminaram a mancha escura e uma claridade intensa como só os pirilampos são capazes de proporcionar inundou o espaço onde as figurinhas mágicas da mata habitam.
Um gamo veloz faz a sua aparição numa corrida desenfreada. Os seus pés tinham asas e o seu peito arfava com a força própria dos grandes vencedores cujo objectivo é sempre a vitória. Passou rápido e iluminado como um relâmpago seguiu deixando atrás de si um raio de claridade que ofuscou a luz dos pirilampos.
Soube-se, mais tarde, que regressou carregado de gambuzinos para distribuir a todos que ainda acreditam em fadas.
 
 
foto e texto de Benó
 
 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Artistas





Nem um “abre-te sésamo”, nem a maior das chaves, a mais forte ou a mais sofisticada será capaz de abrir essa boca cinzelada no duro mármore, fechadura impenetrável para uma caverna de emoções, de sonhos e desejos, que ali se encontra “esquecida”, colocada ao acaso num espaço livre,  peça olhada por muitos passantes  mas por poucos observada.

O artífice que a esculpiu que lhe deu forma de cabeça, não lhe abriu os olhos mas só delineou uma boca fechada que não contará os segredos aí preservados do querer/saber alheio. Sentimentos, recordações, sentires que nunca sairão do baú de pedra onde se encontram. Serão como pedras depositadas no fundo do rio do esquecimento.

A ferramenta que o artista empunha seja pincel, cinzel, caneta ou outra qualquer, através da mão que a segura é o transmissor dos seus mais desconhecidos anseios ou desejos guardados/camuflados no mais profundo do seu íntimo. A sua obra fala deles e deixa antever um pouco do seu autor sem que ele o queira.

Na Fortaleza de Sagres entrei, passei e senti, num dia sem data.