quarta-feira, 19 de abril de 2017

Se







Se eu pudesse montar num tornado, correria montes e vales por todo o universo. Faria uma limpeza total à maldade, mesquinhez, à inveja.

Não destruiria lares construídos com Amor, não destruiria searas nem hortas onde as sementes são lançadas para ser frutos de amanhã, não destruiria barcos de pesca que tiram do mar alimento para bocas famintas.
Se eu pudesse montar num tornado, iria ao sol roubar um raio de luz para iluminar e aquecer o mundo, sugava uma nuvem branca para pousar os pés cansados de tanto caminhar. Espremia as nuvens cinzentas para que deitassem a água necessária para os desertos se tornarem férteis oásis, onde crescesse sempre o maná da paz e da alegria.

Se eu pudesse montar num tornado, daria infinitas voltas ao mundo na procura da FELICIDADE para ser  distribuída por todos os cantos do mundo.
Ah, se eu pudesse montar num tornado!

foto e texto de Benó

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Diversão



Calmamente,  as folhas do livro iam sendo folheadas uma a uma.
De vez em quando, a leitura era interrompida, o livro pousado sobre a mesa e, sem os óculos,  o olhar espraiava-se pelo exterior. Era o momento de pausa e meditação a que se propunha diariamente, naquele espaço  com vista para o mar, enquanto tomava o seu café.
Repentinamente, naquela manhã, tudo se modifica e de dentro de um autocarro acabado de chegar, sai um magote de homens e mulheres de diversas idades, todos alegres que irrompem pela esplanada na procura de mesas disponíveis.
Mais uma vez, o sul é invadido pelos “nuestros hermanos”, só que agora os castelos a conquistar são outros  e as armas utilizadas bastante diferentes das de antigamente em que nos guerreávamos pela posse dum bocadinho de terra. Hoje, o alvo da conquista eram as mesas ainda disponíveis, da cafetaria .
Sentam-se para tomar um pequeno almoço, ou melhor, dado o avançado da hora, um “brunch” entre risos e conversas mantidas em altos decibéis. De telemóvel na mão, selfie para aqui, selfie para ali vão comendo, gargalhando e registando para depois recordar aqueles divertidos momentos..
 Este grupo dos nossos vizinhos espanhóis é bem disposto, não parece ser beligerante e transmite alegria. No entanto, é barulhento demais para quem aprecia algum silêncio e, sentado à mesa dum café, tenta ler.
Não foi demorada a refeição e, como chegaram, assim partiram rindo e conversando em alto som.
Aconteceu um dia,  nesta província do sul, numa esplanada algures à beira mar situada.
foto da net Texto de benó