quinta-feira, 9 de abril de 2015

Como Pedras




                                                                                          foto e texto de Benó


Folhas mortas, sem vida que o vento arrancou. Soltas, esvoaçam pelo ar ou acabam no chão onde serão pisadas, desfeitas em pó, reduzidas a nada.

Há palavras que quando libertadas podem ser usadas em arremessos violentos nas fúrias ventosas dos desencontros da vida ou podem vogar no ar ao sabor arrítmico das brisas quando reina a calmaria no espaço da vivência.

Folhas secas, palavras rudes, ambas são material de combustão fácil, capazes de provocar chama se caírem em sítios pouco cuidados onde as atenções à sua intrínseca manutenção foram esquecidas, no vaivém sempre igual das rotinas costumeiras. Aí tombadas, folhas ou palavras, rapidamente  criam condições para que fortes labaredas irrompam num braseiro destruidor.

Palavras duras como pedras, afiadas como setas, doridas e sofredoras dardejadas com precisão para atingir o alvo escolhido, ouvidas ao acaso, entre bicas e pastéis de nata, no burburinho dum café, pouso de gente de longe, onde as folhas não entraram mas os verbos soaram no presente, esquecido que estava o passado sem futuro pelos intervenientes da peleja.

2 comentários:

Graça Pires disse...

As folhas são varridas pelo vento... Mas há palavras pesadas e afiadas como pedras que magoam... Gostei muito do seu texto, amiga Benó.
Um beijo.

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Benó.
Interessante analogia entre as folhas e as palavras.
Palavras tão brutais que dilaceram um coração, por vezes destroem uma vida.
Gostei de seu texto.
Um bjo