quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A palmeira agonizante



Pés enterrados, seguros, firmes. Cabeça ereta de longos cabelos açoitados pelas ventanias vindas do gélido norte ou do quente deserto africano. Tudo ela suportou. O seu grosso tronco, nas cavidades próprias da vida longa que já suporta, foi, e ainda é, pouso de sementes trazidas pelos elementos alados que ali procuram descanso e, quiçá, alimento. Essas sementes, graças às boas condições térmicas encontradas, germinam rapidamente e uma flora, em diversos tons de verde, ainda adorna o corpo da árvore que já conta com um quarto de século.

Chegou ao fim a sua vida ferida pelo maldito escaravelho trazido pelos ventos quentes da vizinha África. Aos poucos tem perdido o seu vigor, o seu porte altivo esmoreceu e agora agoniza numa morte lenta. Pobre palmeira, símbolo de resistência, sinal de frescura em oásis perdidos no meio do areal, companheira de sombra em momentos de leitura, dentro em pouco nada mais será do que um cepo que perdurará em sua lembrança.

O jardim d’abrolhos retoma a sua actividade com esta pequena homenagem a uma das árvores que tem acompanhado as brincadeiras dos meus netos. Junto da araucária, a lhe prestarem guarda, estiveram duas palmeiras. Agora, só uma balouça as suas longas folhas nas brisas da tarde.


2 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Um texto bonito num jardim encantador
Na verdade as palmeiras sofrem por cá diversas doenças difíceis de tratar.

Beatriz Bragança disse...

Querida Benó
Retoma a sua actividade com uma poética descrição dessa palmeira que deixou de o ser.
A foto é linda! Tem um belo e acolhedor jardim!
É uma pena,com tantos avanços,que ainda não se tenha descoberto nada que proteja essas árvores!!!
Um grande,grande abraço
Beatriz