domingo, 24 de julho de 2011

O portão de madeira





Forte, ripado, ondulado,
ora aberto, ora fechado,
protetor e divisor
eis o portão do meu jardim.

Todos o ignoram e não o vêm.
Saltam por cima ou de empurrão
afastam-no, transpõem-no.
Seguem o seu caminho.
Correm e escondem-se
Sem dó nem compaixão
Batem-no, maltratam-no

Tem um fecho que o segura
Que o obriga a estar fechado
Não serve de nada, coitado
É pequenote de altura.

Trás, catrapás,
Bate na parede ou no vaso
Vai à frente, volta atrás
Abre-se de qualquer maneira
São os rapazes ou o vento, tanto faz.
Não vai chegar a velho
o meu portão de madeira


Aqui, no Jardim d'abrolhos

2 comentários:

N. Barcelli disse...

Coitado do teu portão... é tão simpático...
O poema, ainda mais... gostei muito, nomeadamente pelo sentido de humor que ele revela.
Beijo, querida amiga.

Vieira Calado disse...

Pois, amiga...

A madeira é muito perecível...
como quase todas as coisas... aliás...

Bjsss