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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Frescura matinal

                       
 
 
 
 
                   
 
                                                foto e texto de Benó

A frescura da brisa matinal entra pela janela aberta do meu sentir  e vem refrescar-me o rosto ainda quente da noite.
Os olhos semicerrados com o peso dos sonhos vividos na escuridão do quarto olham o sol que se ergue das profundezas oceânicas saudado pelas gaivotas  que em volteios esvoaçantes estão a reclamar alimento.

A areia húmida da maré alta convida a caminhar. Com passadas curtas passeio-me por dentro da manhã ainda criança e, com a alegria que me é própria,  bato as palmas.  Os pássaros da beira-mar levantam voo num movimento vagaroso de início para, depois com mais energia, erguerem-se no ar e pousar mais à frente onde executam danças aladas de encantar.
Com as mãos ainda frias, começo a apanhar conchas, búzios, pedras raiadas, pequenas algas, cascas de lapas e de mexilhões trazidas para a areia embrulhadas nas rendas brancas com que o mar se enfeita nas marés. Guardo-os numa caixa de espuma azul céu.

domingo, 4 de outubro de 2015

Uma tarde


 

O vento a acariciar as águas calmas do porto de abrigo provoca-lhe arrepios indisfarçáveis. Os barcos mesmo ancorados tremem e agitam-se na tarde serena de outubro. Ao longe, no fim do paredão, o pequeno farol ficará acordado toda a noite na sua função de avisar quem entra e quem sai.
Junto a si, nas pedras submersas onde se apoia, fervilha vida, noite e dia. Sempre.

Os jovens namorados procuram a protecção da sua sombra para se acariciarem na provocação de arrepios e ternuras pela primeira vez sentidas.
Sempre igual e sempre diferente esta água que se agita, treme, nos refresca, nos dá o alimenta mas, também, é madrasta e nos engole.

A deambular pelo cais nas horas quietas duma tarde outonal.
 
foto e texto de Benó

domingo, 16 de agosto de 2015

Gaivotas em terra


São pássaros do mar, habituados aos ventos e suas correntes, às brancas espumas da maresia, marujos de docas e cais onde restos de peixes caídos de algum cabaz das traineiras lhes servem de refeição. Pousadas sobre as águas dos mares ora calmas ora onduladas, passeiam-se e embalam-se.

Juntam-se em grupo para conversar na encosta da arriba frente ao mar.
Ouvi dizer que são prenúncio de tempestade quando sobrevoam terra com o seu forte grasnar. Ou sinónimo de fome, penso eu.


foto e texto de Benó

domingo, 26 de abril de 2015

Espuma no areal




Há momentos especiais em que a natureza nos proporciona belos instantâneos fotográficos.
Num dia de vendaval no inverno passado, o mar resolveu lavar as pedras do areal com a espuma duma barrela que só ele sabe fazer e eu estava lá.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Pedras

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



 
 
                                                                    fotos e texto de Benó
 
 
Juntaram-se num encontro mesmo ali, sobre o mar, para conversar e admirar em conjunto as cores do entardecer e por ali ficaram.  Assim se encontram há muitos e muitos anos, tantos que ninguém se lembra desde quando.
O vaivem das marés lava-as, beija-lhes os pés, enche-as de salinidade.
O sol aquece-as e os lagartos fazem delas o seu mirante enquanto se bronzeiam e admiram a profundidade do verde mar.
Em noites de lua cheia, as duas amigas brilham como prata e, possivelmente, recebem a visita de sereias e de mouras encantadas que aparecem para uma pequena conversa.
As pedras amigas também sentem o desgaste do tempo, do vento, da chuva e a base do seu apoio, ano após ano, vai-se tornando mais frágil e inseguro.
Esperam que, num dia de vendaval daqueles em que as ondas parecem gigantes a querer tudo engolir, uma vaga forte, alta e imponente as arranque do sítio onde se encontram e as coloque lá em baixo no fundo da falésia onde permanecerão cobertas pelo mar para aí se tornarem abrigo de lapas e mexilhões.
Sempre juntas, eternamente, como um amor divino.
 
 
 
 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Entre a luz e a escuridão







Gosto de, ao fim do dia, entre a luz e a escuridão, quando tudo é pardo, sem cor, quando não sei se diga boa noite ou se diga boa tarde, quando os gatos vão para os telhados e as galinhas se recolhem, descer à praia e, contigo, molhar os pés.
Num arrepio, entro e saio, puxo-te para mim, abraço-te, beijas-me e eu aqueço.


Gosto de sentir o mar nesta hora.

Gosto de te sentir junto a mim em qualquer hora.


foto e texto de Benó

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A Pequena Sereia




As sereias, seres mitológicos que com os seus cantares encantavam os marinheiros, sempre despertaram o interesse dos poetas e dos contadores de histórias.

A Judite Pitta sem ser uma coisa nem outra, é artista e, pondo de parte, temporàriamente, os seus pincéis, fez esta pequena estatueta com materiais usados e ofereceu-ma.


Achei por bem colocá-la no tanque dos peixes esperando que o seu reflexo não a faça cantar mas lhe sirva de companhia pois, os habitantes destas águas, nesta altura do ano, estão com frio e não vão aparecer para a cumprimentar.
Além de sereias ela,Judite Pitta, mulher algarvia e com o mar sempre presente, faz também outras figuras como pescadores e surfistas e o mais que a sua imaginação lhe ditar.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

O Nosso Mar


foto de Benó

Os Caminhos do Mar

É nos caminhos do mar, na estrutura mutante
Do seu programa de memórias, de murmúrios


É no testemunho da transparência das águas
Na sua dimensão ecuménica, admirável
De unir o sangue e os bálsamos apetecíveis


Que nos banhamos numa vertigem de ludíbrios
Trazendo as neblinas e o cheiro forte da luz
De meridianos horizontes, uma voz bilingue
Para as apetências da plenitude, do equilibrio
Instável da nossa instante tranquilidade.


E é pelo mar que nos vinculamos à terra
Que entendemos o cheiro acre da terra
E seus crisântemos repletos de inocências
Para o reanimar do nosso berço anfíbio
A praia onde havemos de viver e morrer
poema retirado do livro "Itinerário"
de Vieira Calado cuja leitura nos conduz por itinerários de grande encanto.

sábado, 26 de abril de 2008

Cena Campestre

Em plena vila, centro de turismo de eleição da juventude surfista, ainda podemos ter o prazer de presenciar esta cena tão bucólica.
Fechem os olhos, esqueçam o stress, relaxem e ouçam os chocalhos das vacas e o seu mugido.
Estão no campo com o mar bem perto.
Aqui é Sagres!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Uma Princesa do Sul

A princesa era do norte
Do país da neve fria
Estava à beira da morte
Só porque a neve não via
.



Toda a gente conhece ou pelo menos os algarvios, a lenda das amendoeiras em flor que tem como personagem principal a princesa Gilda.
Por isso acho desnecessário estar a narrá-la.

Mas permitam-me que brinque, um pouco, com a história da princesa do norte propondo várias alterações, assim:

A mocinha era do sul
Terra do sol ardente
Todo o dia olhava o mar
Era feliz e contente.

Para o deserto a raptaram
O mar deixou de ouvir
Estava a morrer de saudade
Já nem sabia sorrir!

Bem, depois o Califa com o dinheiro que possuía do petróleo que vendia às Américas e não só, mandou ir da China uma máquina especial que reproduzia na perfeição o som da maresia. E, assim, a mocinha olhava para as areias do deserto e podia ouvir o mar beijando amorosamente a areia da sua praia favorita ou ouvi-lo irritado batendo contra as rochas a lixar o mexilhão.
Isto tornou a cachopa feliz e contente e aprendeu a sorrir novamente para felicidade do seu amo e senhor.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

MARESIA



O Inverno é, normalmentte, uma estação triste. Há poucas flores, o sol está pouco tempo a aquecer-nos, faz frio e outras tantas coisas que a maioria das pessoas não gosta.

Aqui onde vivo esta estãção do ano é muito amena, há pouco vento e a amplitude térmica é muito pequena; poderemos ter 15ºC como máx. e como mínima 12ºC, portanto nem temos muito frio. Poderá haver um ou dois dias de vendaval forte com o mar alteroso mas, até ele torna-se belo nessas ocasiões.Para o ver e fotografar chega imensa gente de longe munida de máquinas fotográficas equipadas com diversas lentes, câmaras de filmar e toda a aparelhagem para fixar os momentos em que, as ondas, de farta espuma branca, sobem de encontro às rochas para se desfazerem logo de seguida com uma beleza sem par.

Adoro o mar e o inverno!