fotos e texto de Benó
Juntaram-se num encontro mesmo ali, sobre o mar, para
conversar e admirar em conjunto as cores do entardecer e por ali ficaram. Assim se encontram há muitos e muitos anos,
tantos que ninguém se lembra desde quando.
O vaivem das marés lava-as, beija-lhes os pés, enche-as de salinidade.
O sol aquece-as e os lagartos fazem delas o seu mirante enquanto
se bronzeiam e admiram a profundidade do verde mar.
Em noites de lua cheia, as duas amigas brilham como prata e,
possivelmente, recebem a visita de sereias e de mouras encantadas que aparecem
para uma pequena conversa.
As pedras amigas também sentem o desgaste do tempo, do vento, da
chuva e a base do seu apoio, ano após ano, vai-se tornando mais frágil e inseguro.
Esperam que, num dia de vendaval daqueles em que as ondas
parecem gigantes a querer tudo engolir, uma vaga forte, alta e imponente as
arranque do sítio onde se encontram e as coloque lá em baixo no fundo da
falésia onde permanecerão cobertas pelo mar para aí se tornarem abrigo de lapas e
mexilhões.
Sempre juntas, eternamente, como um amor divino.
