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quarta-feira, 4 de março de 2015

Pedras

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



 
 
                                                                    fotos e texto de Benó
 
 
Juntaram-se num encontro mesmo ali, sobre o mar, para conversar e admirar em conjunto as cores do entardecer e por ali ficaram.  Assim se encontram há muitos e muitos anos, tantos que ninguém se lembra desde quando.
O vaivem das marés lava-as, beija-lhes os pés, enche-as de salinidade.
O sol aquece-as e os lagartos fazem delas o seu mirante enquanto se bronzeiam e admiram a profundidade do verde mar.
Em noites de lua cheia, as duas amigas brilham como prata e, possivelmente, recebem a visita de sereias e de mouras encantadas que aparecem para uma pequena conversa.
As pedras amigas também sentem o desgaste do tempo, do vento, da chuva e a base do seu apoio, ano após ano, vai-se tornando mais frágil e inseguro.
Esperam que, num dia de vendaval daqueles em que as ondas parecem gigantes a querer tudo engolir, uma vaga forte, alta e imponente as arranque do sítio onde se encontram e as coloque lá em baixo no fundo da falésia onde permanecerão cobertas pelo mar para aí se tornarem abrigo de lapas e mexilhões.
Sempre juntas, eternamente, como um amor divino.
 
 
 
 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Duas pedras

 



O vento, a chuva, a seca, as intempéries resultando numa erosão cuidada e meticulosa, talvez até, artística deram a estas pedras um perfil quase humano. Elas são espectadoras atentas ao que se passa no areal. Sabem quantos bagos de areia são necessários para formar uma duna, compreendem as conversas tidas entre as algas e os limos, ouvem as discussões dos caranguejos com as estrelas-do-mar, conhecem os ventos que sopram dos vizinhos desertos africanos ou aqueles outros, gelados, vindos do norte, onde moram as renas e as focas, também são maltratadas pelas fortes lufadas que chegam do sul, normalmente, carregadas de nuvens pesadas e negras. Entre elas, não perdem uma deliciosa cavaqueira sobre o Bóreas e o Nótus.
 
 
 
 
O sol, indiferente à beleza da onda que enrola e desenrola em brincadeira com as conchas e os mexilhões, segue a sua viagem diária perdendo-se para lá das águas profundas do oceano.
 
 
 
 
As pedras continuarão presas ao mesmo lugar, de onde podem dizer adeus aos marinheiros que passam ao largo rumando a aventuras que elas nunca poderão viver; sempre no mesmo lugar, de onde assistem a grandes tempestades mas também a belas e calmas bonanças; de onde podem extasiar-se ante os coloridos ocasos nas profundezas do infinito oceano; sempre no mesmo lugar, até que o gastar dos tempos as faça tombar, sem dó nem piedade, no fundo da falésia, nas águas que agora lhes beijam os pés, elas ali estão,
 
num local, aqui, perto do Jardim.
foto e texto de Benó

terça-feira, 1 de novembro de 2011

As pedras que hoje pisei





Hoje andei por aqui.

Pisei as pedras polidas, gastas,

Maltratadas, arrancadas,

Pela areia, pelo tempo, pelo mar.


Guardam segredos de amores e desamores.
Jurados, acabados.

Viram partir marinheiros,
Viram chegar caravelas.
De guerras conhecem os sons,
De santos os seus milagres.

Guardam o reflexo do sol
Abrigam deuses e monstros.

Estas são as pedras que hoje pisei,
Ao entardecer, junto ao mar.




Foto e texto de Benó