Andou na rua, pelos telhados, pelos campos. Passou fome,
frio, desconforto. Muitos gatos a possuíram, muitas ninhadas pôs no mundo.
Um
dia fartou-se da vadiagem e desejou uma nova vida onde houvesse carinho humano, comida e
água fresca.
Escolheu uma família com casa no campo. Sorrateiramente, entrou por entre as
árvores do jardim e junto às grandes vidraças de onde se via crianças brincando, fez o seu ar mais terno e pediu abrigo. As portas abriram-se e oito braços a acolheram, abraçaram e, entre todos, deram-lhe um nome: GATA.
Levaram-na ao médico, fez exames, tomou remédios. Já não voltará a andar pelos telhados com um e com outro. Não passará mais fome.
Agora tem casa própria, quem lhe dê atenção, carinhos, alimentação e pode satisfazer uma das suas preferências que é deitar-se em cima do aquário como guardadora dos peixes coloridos que a provocam com as suas danças exóticas.
Apesar de ter tido uma vida difícil, a gratidão faz parte
dos seus sentimentos felinos e com alguma frequência vai à caça para oferecer
os seus troféus a quem a adotou. Ratinhos do campo, pequenas aves e alguns
répteis estropiados são postos na porta da entrada da casa que a acolheu, como
retribuição por tudo de bom que lhe tem sido dado.
É assim uma GATA que eu conheci.
texto e foto de Benó







