Mostrar mensagens com a etiqueta jardim. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta jardim. Mostrar todas as mensagens

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Granizada

 

 
 
 
O Jardim foi bombardeado com uma saraivada de granizo. Foi rápida e depressa desapareceu mas ainda deu tempo para registar no Iphone.
Há tempo tempo que não via chuva de pedra!!!
Recordo, quando era criança, em que os invernos eram muito mais rigorosos, chovia com mais intensidade e mais frequência. O granizo era constante nos invernos longos e frios e a criançada que não sabia o que era um frigorifico guardava as pequenas bolas de gelo dentro de um frasco que tinha sido de pomada para os sapatos. Pequenas coisas que nos faziam felizes.
 
foto e texto de Benó

 
 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A joaninha cansada




Esta plantinha é vizinha do Jardim e cresce livremente entre as pedras junto dum muro. Sei que tem propriedades curativas, pois quando eu era garota e os joelhos sofriam a consequência das corridas endiabradas, tirava uma pelicula da folha que depois esfregava no ferimento.
A joaninha (ou será o joaninho?) chegou, e cansada pousou para descansar na folha do Umbigo de Vénus, assim se chama a planta.
Esperteza de inseto!

foto e texto de Benó

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O repuxo


 
 
O repuxo cantava a frescura dum fim de tarde enquanto as damas nas suas saias rodadas pisavam levemente o chão e conversavam sobre os últimos escândalos da corte. As mãos pequenas enfiadas em luvas de renda seguravam o leque francês pintado com figuras de coloridas aves e abanavam os rostos protegidos por chapéus de grandes abas atadas por debaixo do queixo com fitas de cetim. Poderia ser um quadro romântico do sec. XVII ou XVIII em que havia reis e rainhas e muito povo com fome.
Hoje, do terraço onde me encontro, nesta hora admirável de final do dia, em que o sol, por obrigações celestiais, tem de nos abandonar, posso admirar o mesmo repuxo rodeado por canteiros de sebes baixas, ouvir o cantar da água que jorra elevando-se no ar para tornar a cair na bacia de pedra que o circunda mas, não vejo damas de fartas saias rodadas trocando entre si pequenos segredos com risinhos à mistura. Somente os hóspedes deste palácio, agora tornado unidade hoteleira, por ali deambulam em alegres conversas envergando frescos calções e blusas vaporosas que assim o exige a agradável temperatura deste outono algarvio.
Fecho os olhos e a brisa da tarde refresca-me o rosto e os pensamentos.

Não temos rei nem rainha mas o povo continua com fome.
 
foto e texto de Benó

quinta-feira, 19 de março de 2015

Simplesmente flores



 Os campos sentem-se abençoados pela água que nestes dias tem caído e tornado vigorosas as plantas que morriam à mingua dela. Como agradecimento, as flores silvestres abrem-se num sorriso e oferecem todo o encanto das suas cores aos passantes que, como eu, reparam nelas.




No jardim d'abrolhos, não há falta de água mas o frio tem engelhado os seus habitantes que num encolhimento sentido têm-se recusado a desabrochar.
No entanto, este lírio, o primeiro desta primavera, cansado de estar apertado dentro da terra, irrompeu e apresentou-se em toda a sua verticalidade azul.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O portão verde

 
De setas apontadas às alturas existe um portão de ferro pintado de verde, cor da esperança, fechado, sem chave nem cadeado, nem trinco, nem aldraba.
 
 
 



Ornado de corações deixa ver o verde/amarelo das ervas que cobrem a terra castanha, matriz das sementes que eclodirão em breve, com a chegada dos primeiros calores que poderão entrar sem qualquer impedimento. Por ele e sobre ele, a chuva passa, entra e sai só ou acompanhada pelo vento seu companheiro nestes dias. Também as nuvens fazem-lhe um adeus rasante numa corrida louca empurradas pelos soprares eólicos ou em mansos passeios e devaneios exibindo as suas formas inconstantes e sensuais numa atrevida provocação feminina



 
É um portão de ferro pintado de verde, sem história mas com muitas histórias para contar de gentes passantes, visitas ocasionais,  jovens ou velhos que a ele se arrimam para um descanso das caminhadas ou dos anos que já pesam nas pernas de quem muito percorreu e viveu.
 
texto e fotos de Benó

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Agora

 
 


Apaixonados, amantes,
Vivemos  amores e paixões .
Rimos.
Sofremos  zangas, raivas, infortúnios .
Vencemos montanhas e desertos.
Trocámos beijos e abraços.
No árido deserto sofremos a dura sede da saudade.
Nas puras fontes bebemos a água da felicidade.
Hoje, neste Jardim d'abrolhos,
no aconchego do teu regaço,
esperanças. sonhos, ilusões, renovo e refaço.
 
 
 
 
 
foto e texto de Benó

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Rua molhada

 
                                                             foto e texto de Benó
 
A rosa vermelha espreita a rua molhada onde as luzes dos candeeiros já se refletem no acabar de um dia chuvoso deste outono ameno, aqui no Jardim d'abrolhos.
 


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Há moiro na costa





                                                                                                foto e texto de Benó

 

 
Ainda era uma adolescente, morena de grandes olhos pretos, amendoados, orlados de fartas pestanas. Olhos que sempre sorriam para todos e para a vida que vagarosamente decorria.

Numa alegria constante, espalhava risos e gargalhadas por entre familiares e por todos os que com ela conviviam. Era o braço direito de sua mãe, uma preciosa ajuda para tratar e cuidar dos mais novos e dos muito mais velhos que ainda faziam parte dos viventes naquela casa sempre em constante movimento.

De repente, o seu estar modificou-se.

Andava numa distração permanente. A avó queixava-se dos seus silêncios e da falta de companhia para jogar ao dominó, o seu jogo preferido ou para conversar; a mãe, das suas demoras quando a mandava à rua fazer qualquer recado e os mais pequenos choravam pela falta das brincadeiras habituais.

Dir-se-ia que a casa estava a tornar-se pequena e a adolescente necessitava de sair mais vezes para conversar com as amigas, de espaço, de liberdade ou então de estar só, isolada, longe de tudo e todos, a ouvir o bater descompassado do seu coração.

Com alguma frequência, podíamos vê-la debaixo das árvores do jardim, deitada na relva, fitando o céu com aqueles seus olhos grandes, absorta em pensamentos que eram só seus.

Até o pai começou a notar que a sua menina estava diferente e, como pessoa habituada às mudanças dos humores juvenis e femininos, comentou com a mãe, igualmente conhecedora dessas coisas e dos jovens corações apaixonados:

-“Há moiro na costa"

 

domingo, 19 de maio de 2013

Flores da rua


 
Cada vez há mais flores nas bermas dos caminhos, na beira das estradas por onde passam camiões, automóveis com cavalheiros que param para as colher.
Poluição social.
Flores desenraizadas, sem húmus para viver. Entre as pedras procuram a força necessária para o seu desabrochar. Terão uma existência curta e serão pisadas e serão cuspidas, maltratadas, arrancadas ao seu meio ambiente.
Serão flores murchas sem jardim.


foto e texto de Benó

segunda-feira, 8 de abril de 2013

POINSÉTIAS




Estas poinsétias foram oferecidas pelo Natal. Não estavam sobre este móvel mas no chão num recanto bem iluminado e acompanhadas por algumas orquídeas. O Natal já passou, a Páscoa igualmente, mas elas continuam oferecendo a sua beleza colorida e por isso, achei que tinham direito a uma foto para o blogue. Quero transferi-las para o jardim, mas não sei bem qual a melhor altura para o fazer. Se alguma das minhas visitas me souber esclarecer, agradeço e, certamente, as poinsétias também.

sábado, 8 de dezembro de 2012

As minhas leituras




                                                                           foto Benó


Lembrança minha do jardim de casa:
vida benigna das plantas,
vida afável e misteriosa
lisonjeada pelos homens.

A palmeira mais alta daquele céu
como um cortiço de pardais;
vide firmamental da uva negra,
dias de verão dormiam à tua sombra.

........

Jardim, encurtarei a oração
para continuar sempre a lembrar-me:
a vontade ou o acaso de dar sombra
foram as tuas árvores.


Estas são as duas primeiras e a última quadra do poema "Ao correr das lembranças" de Jorge Luis Borges, poeta, contista e professor de literatura nascido em Buenos Aires em 1899 e falecido em Genebra em Junho de 1986.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

2013





Para as minhas tarefas de jardinagem recorro com alguma frequência àquele pequenino e velho almanaque “Borda d’água”..


Hoje, enquanto na esplanada habitual tomava o meu café, apareceu um rapazinho a vender este livrinho para o próximo ano de 2013.

Compra feita, fui ler o Juízo do ano que vem sempre na contra capa.

E então o que vem lá que me deu que pensar?


- Para aqueles que estão perto do mar (que é o meu caso) um alerta, pois as tempestades e os naufrágios serão uma constante levando assim a muitos e devastadores infortúnios.(Não chega já os que temos em terra).


- Nas pessoas é previsível um aumento de doenças e mortes (ATENÇÃO) sobretudo no sexo feminino. Seremos surpreendidos por mortes repentinas de pessoas com bastante influência e notoriedade na vida politica do país. (Quem será que vai?)







Se alguém está a pensar ter filhos neste ano de 2013, acautele-se pois lá vem também a informação de que “os nascidos sob o domínio de Marte, planeta que irá dominar este ano, serão inimigos da paz e cheios de ira, vivendo sem piedade, mentindo e enganando….serão crianças difíceis de educar. Segue-se a descrição de características físicas que não vou citar. As profissões para estes “marcianos” serão a carreira das armas e da guerra e as medicinas.



Os apartes entre parêntesis são meus, claro.

sábado, 13 de outubro de 2012

O sol e o pau de pita


 
 
 
 
 
 
 
O pau de pita cresceu, cresceu tanto que chegou ao sol. Não se queimou nem ardeu como Ícaro, apenas lhe tocou de mansinho. Era esse o seu sonho.
As duas araucárias ante tanta ousadia e coragem montaram guarda de honra ao jovem filho da velha mãe piteira. Em breve, ele tombará sobre o chão onde também, a sua mãe já mirrada ficou.
São assim os paus de pita desta terra, audazes, atrevidos, ambiciosos, apesar da sua vida curta.
Foi um momento sublime e eu registei-o para mais tarde recordar e escrever sobre as aventuras dos paus de pita deste jardim d'abrolhos.
 
 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O KING


A neve começou por aparecer nas pestanas que embelezavam os teus olhos meigos de caçador de aguda visão. Depois salpicou as barbas da tua boca que sabia, com delicadeza e cuidado, trazer-me um brinquedo de peluche ou levares ao dono a peça de caça abatida..

As tuas presas fortes e esmagadoras foram-se gastando e deixaram de exercer a sua função destruidora.
As barbas brancas davam-te um aspecto envelhecido, é verdade, mas ainda tinhas energia suficiente para correres atrás dos pardais que agora já podem vir comer sossegados as migalhas do pequeno almoço.

Recordo, quando foste atropelado e operado à perna, trazias na cabeça o capacete de plástico, que mais parecia um abajur dum qualquer candeeiro, para não estragares a incisão que tinhas na perna devido à cirurgia. Davas cabeçadas nas pernas das mesas e das cadeiras e tinhas um ar infeliz. O susto que nós apanhámos.

A relva do jardim vai crescer sem buracos e os melros podem vir apanhar minhocas

Espero que os ratos não saibam da tua ausência.

Nos vamos sentir a tua falta neste jardim, agora mais só..

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Nuvens

Incendeiam-se. Correm. Cavalgam sobre montros já formados ou ajoelham aos pés de anjos imaginados.





Escurecem o céu tornando o dia em noite sem luz, são negras, medonhas.



Transparentes, douradas ou prateadas, cheias de água ou de cor são esguias e elegantes, caprichosas no deslizar.
São as nuvens passeando sobre o Jardim


Fotos e texto de Benó

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A marmelada

Como grandes pepitas, os marmelos brilhavam na árvore como se estivessem à espreita de alguém que os fosse colher.


A fina penugem que os cobrira já tinha desaparecido e estavam realmente prontos para a colheita. Seriam, então, transformados na saborosa marmelada, delícia dos mais pequenos.





Eis o resultado dumas horas na cozinha: uma doce e corada marmelada.













sexta-feira, 23 de setembro de 2011

As folhas caiem




No sossego calmo deste primeiro dia de outono, encontro-me aqui, comigo própria.
Num frente a frente ocasional, fortuito, mas repousante.
Libelinhas esvoaçam em meu redor e os pardais gostam das migalhas do bolo do pequeno almoço que, propositadamente, espalhei pela relva.
O Jardim está em silencio mas, se fechar os olhos, ainda posso ouvir os risos das minhas crianças, os chutos na bola, as campainhas das bicicletas, o splash, splash dos mergulhos na piscina, as correrias com o cão.

É outono.

O verão foi deposto.

Mais uma folha do livro da vida que se virou

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Um chá



A bela luisa floresceu mas as suas folhas oferecem-me, ao fim do dia, um chá refrescado com uma rodela de limão.


Para que possa continuar a beneficiar do seu verde, terei que podá-la brevemente mas, entretanto, guardarei e secarei as suas folhas para futuras delicias.


Depois, irá novamente cobrir-se de verde e assim seguirá o seu ciclo.




domingo, 3 de julho de 2011

Numa tarde quente



O perfume adocicado dos aloendros.
O cantar estridente das cigarras.
O calor dos lagartos nas pedras do caminho.

Cheira a figos, a uvas.
Vindimas. Searas. Ceifas
Espigas e papoilas.

Mal me queres. Bem me queres
Muito, pouco, nada.
Recordações dum tempo passado.

Numa tarde quente
Os pássaros deixam o ninho.

Aqui, no Jardim d'abrolhos.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A rainha





Foi comprada por ser bicolor. Achei-a linda com as suas pétalas vermelhas a acabar na pureza do branco. Depois, vieram estas todas vermelhas mas, com uma ou outra pétala bicolor a quebrar a monotonia da cor única.

Por fim, já com pouca força para enrubescer, apareceu esta desmaiada, pálida, branca, mas com o coração ainda quente e vermelho de querer ser dália, a rainha dos jardins.


Duma única mãe, sairam filhas diferentes mas todas belas e encantadoras a quem dei toda a minha atenção e cuidados.