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terça-feira, 8 de março de 2016

"O Mar o leva o Mar o traz"

 

Sobre a areia, inerte e sem vida o despojo duma gaivota. Não foi o mar que a levou mas foi o mar que a trouxe porque ela não lhe pertence. A maré cheia ali a  depositou no areal dourado, frio e molhado. Enquanto ave voou pelo azul do céu, penetrou nas nuvens, vogou na crista das ondas, mergulhou no verde oceano em busca de alimento. Não sabemos se a sua vida chegou ao fim por imposição da própria vida ou se, pelo contrário, motivos alheios à própria vida puseram um fim à sua vida.
Numa praia, em Sagres, numa manhã de inverno, uma gaivota sem vida.

texto e fotos de Benó

quarta-feira, 2 de março de 2016

Gaivotas na rampa


À tardinha, na rampa do cais que os homens do mar usam para varar os barcos que ficam em terra para reparação ou, simplesmente, para aí ficarem nos meses de invernia, as gaivotas gozam o calor dos últimos raios de sol deste dia de inverno.
De quando em vez, como se estivessem numa brincadeira, dão pequenas corridas atrás umas das outras mas, sobretudo, gostam de descansar junto à babugem  escondendo as patas com o seu corpo fofo de penas e fechando os olhos para melhor sentirem o abraço morno do dia que se despede. Assim,conseguem transmitir-nos um sentir de preguiça, de lassidão compatível com as horas mortiças destes fins de tarde, em que os barcos já partiram para a faina da pesca e as horas pararam, no cais.
 
Gosto de as ver levantar voo, elegantemente. Mas, preguiçosas e sem medo, só depois dum forte bater de palmas e de alguma algazarra propositada, elas se erguem num voo lânguido e vagaroso, rumo às nuvens que começam a acastelar-se por sobre as ilhas do Martinhal ou então, abrem as asas e saltitam para mudar de lugar não demonstrando qualquer receio.
Estas são as gaivotas pardas habitantes do cais da Baleeira.
 
Texto e foto de Benó
 
 

domingo, 11 de outubro de 2015

Fome





Vieram de longe ou de perto. Tanto faz!

Trazem a fome no bico, podia ser na boca, tanto faz.
São aves, podiam ser pessoas.

No cais, comem os sobejos das refeições dos pescadores. Aqui lutam pelas migalhas que deposito sobre a relva, zangam-se pelos restos de pão que algumas conseguem roubar para, em seguida, num voo rápido o perderem.
 
                                 
São aves mas podiam não ser. Tanto faz.
Abrem e batem as asas e grasnam num som agudo feroz de bico aberto. Fazem pequenas investidas a uma ou outra mais afoita quando se atreve a meter um nico de alimento para o papo. Podia ser a barriga. Tanto faz.

É a fome adulta que as torna violentas. Que sabemos nós, se os filhos no ninho não esperam pelo alimento tão disputado?
Fome dos filhos mais sentida, origem de disputas e escaramuças, guerras, mortandade.

Nem só as aves têm fome.


fotos e texto de Benó
 

domingo, 16 de agosto de 2015

Gaivotas em terra


São pássaros do mar, habituados aos ventos e suas correntes, às brancas espumas da maresia, marujos de docas e cais onde restos de peixes caídos de algum cabaz das traineiras lhes servem de refeição. Pousadas sobre as águas dos mares ora calmas ora onduladas, passeiam-se e embalam-se.

Juntam-se em grupo para conversar na encosta da arriba frente ao mar.
Ouvi dizer que são prenúncio de tempestade quando sobrevoam terra com o seu forte grasnar. Ou sinónimo de fome, penso eu.


foto e texto de Benó

sábado, 23 de maio de 2015

Fome

 
 
 
 


Vieram de longe ou não pois o mar está tão perto. Não sei! Tanto faz!
Começaram por observar o terreno, pairando lá no alto ou planando.
Foram necessários alguns dias para observação do terreno, tal como os espiões disfarçados precisam estudar o seu campo de ação para depois agir, assim elas fizeram.

Uma ave, duas, não mais, vindas das alturas, passavam em voos rasantes sobre o relvado, sem pousar, asas abertas, bicos aduncos prontas a apanhar o que quer que estivesse colocado, propositadamente, para lhes chamar a atenção, numa tigela sobre o espaço onde as crianças jogam à bola.
Sobre o verde da esperança.
Chegavam ordenadas em pequenos bandos, na sua fina penugem branca ou não. Tanto faz! Executavam pequenos saltos e corridas como se fossem atletas de salto em comprimento e procuravam a melhor posição para atacar a comida.


 

Já familiarizadas com o ambiente, mas um pouco amedrontadas, observam as redondezas, pousam e, logo, começam as zangas, o bater de asas, o grasnar para estabelecer hierarquias no ataque ao alimento.
Macho ou fêmea, tanto faz!
As mais humildes afastam-se e esperam a sua vez de debicar o que ficou e são as mais ousadas que comem primeiro e os melhores bocados.
Grasnando alto e em bom som vencem as mais fortes, sempre. As outras ficarão com os restos da abastança.

As sobras são para os mais fracos.
 
fotos e texto de Benó
 
 
 

 

 

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