Sobre a areia, inerte e sem vida o despojo duma gaivota. Não
foi o mar que a levou mas foi o mar que a trouxe porque ela não lhe pertence. A
maré cheia ali a depositou no areal
dourado, frio e molhado. Enquanto ave voou pelo azul do céu, penetrou nas
nuvens, vogou na crista das ondas, mergulhou no verde oceano em busca de
alimento. Não sabemos se a sua vida chegou ao fim por imposição da própria vida
ou se, pelo contrário, motivos alheios à própria vida puseram um fim à sua vida.
Numa praia, em Sagres, numa manhã de inverno, uma gaivota
sem vida.
texto e fotos de Benó








