terça-feira, 1 de novembro de 2011

As pedras que hoje pisei





Hoje andei por aqui.

Pisei as pedras polidas, gastas,

Maltratadas, arrancadas,

Pela areia, pelo tempo, pelo mar.


Guardam segredos de amores e desamores.
Jurados, acabados.

Viram partir marinheiros,
Viram chegar caravelas.
De guerras conhecem os sons,
De santos os seus milagres.

Guardam o reflexo do sol
Abrigam deuses e monstros.

Estas são as pedras que hoje pisei,
Ao entardecer, junto ao mar.




Foto e texto de Benó



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Visitas outonais



O vento já tinha ido embora numa despedida silenciosa.

A escuridão no jardim abraçara-se ao sossego e as flores há muito que tinham adormecido no aconchego da terra ainda quente dos raios do sol que há muito partira num cruzeiro de algumas horas.
Ainda acordada, fui repentinamente avisada de que um intruso estava na relva. O meu fiel canídeo ladrava, ladrava, avisando duma presença indesejável nos seus domínios.
É outono e estas visitas silenciosas e espinhosas acontecem com frequência para desatino dos meus sentinelas.
Para que novamente as palmeiras possam dormir, as minhocas programarem a próxima escavação e o sossego reinstalar-se, é preciso que o intruso seja afastado. Assim foi feito com delicadeza e um balde.
Até à próxima visita.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A figueira

Outono, outubro, amêndoas, nozes, batata doce, cheiro a mosto.
A figueira já se despiu, assim como a maior parte das árvores do pomar. Os seus braços semi nus erguem-se aos céus numa prece muda para que a chuva não tarde.
Um figo aqui e ali, uma ou outra folha mais apegada à mãe, está assim a figueira, retrato fiel dum outono que fez um casamento perfeito com o verão.
Até quando durará esta união em que um é totalmente superior ao outro?

Por enquanto, vão-se entendendo e o calor vai tendo superioridade mas, parece-me que o frio e as chuvas não tardarão e depois, os céus chorarão, as ruas ficarão alagadas, as praias desertas e a figueira perderá por completo as suas folhas que atapetarão a terra sequiosa de água e nutrientes.


O verão partirá numa despedida rápida.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Amarilis

O vaso de amarilis outonal Aqui, em grande plano.

Este ano foi assim. Ofereceram-me as suas lindas flores que encheram de colorido um simples vaso.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A marmelada

Como grandes pepitas, os marmelos brilhavam na árvore como se estivessem à espreita de alguém que os fosse colher.


A fina penugem que os cobrira já tinha desaparecido e estavam realmente prontos para a colheita. Seriam, então, transformados na saborosa marmelada, delícia dos mais pequenos.





Eis o resultado dumas horas na cozinha: uma doce e corada marmelada.













sexta-feira, 23 de setembro de 2011

As folhas caiem




No sossego calmo deste primeiro dia de outono, encontro-me aqui, comigo própria.
Num frente a frente ocasional, fortuito, mas repousante.
Libelinhas esvoaçam em meu redor e os pardais gostam das migalhas do bolo do pequeno almoço que, propositadamente, espalhei pela relva.
O Jardim está em silencio mas, se fechar os olhos, ainda posso ouvir os risos das minhas crianças, os chutos na bola, as campainhas das bicicletas, o splash, splash dos mergulhos na piscina, as correrias com o cão.

É outono.

O verão foi deposto.

Mais uma folha do livro da vida que se virou

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Férias Grandes

Os passarinhos voltaram para o ninho; de mais penas cobertos; de músculos mais fortes. Aprenderam a voar mais alto; a fugir a alguns perigos. Aprenderam que nem todo o inseto serve para alimento, que há minhocas mais saborosas que outras e algumas venenosas. O portão de madeira mantém-se fechado sem o trás, catrapás do fechar e escancarar.





E por este caminho não voam as bicicletas nem há dribles de bola. Os skates e as trotinetes foram arrumadas.

As férias grandes chegaram ao fim..

"Férias grandes, avó? Foram bem pequenas".


E o Jardim prepara-se para o cair das folhas que cobrirão caminhos e relva num desejo de sossego e renovação.