O oceano é o seu berço e, muitas vezes quando acorda, vem um pouco envergonhado, dar-me os bons dias ficando de olho aberto-olho fechado a ver-me espreguiçar.
Depois, já mais desperto, os seus braços quentes e fortes brincam comigo enquanto deambulo no meu cumprimento matinal às flores do meu espaço.
Aquece-me, abraça-me, protege-me, oferece vida às plantas, colorido ao jardim e o seu calor é o conforto preciso nas horas mais frias dos meus invernos.
Dá ao meu rosto, por onde muitos sóis já passaram, a cor trigueira e saudável das mulheres do sul mas, também me oferece a calma frescura do pátio sombreado onde brincamos às escondidas e onde me sento e sonho nas horas vazias do dia-a-dia.
No entanto, é naqueles momentos especiais, rápidos e curtos da hora da despedida, quando bem vermelho mergulha neste oceano que me rodeia para ir aquecer o outro lado do mundo, que eu mais aprecio a sua beleza.
Durante breves instantes posso admirar por sobre os telhados, nas copas das árvores, batendo e entrando pelas vidraças das janelas, os quentes matizes do ocre/amarelo/vermelho do seu rosto ao partir, num lindo espectáculo de cores e encandeamento neste Jardim d'abrolhos.















