quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Ciprestes
No Jardim d'abrolhos, além de flores, arbustos, palmeiras e algumas ervas daninhas, também há ciprestes, entre outros exemplares de grande porte . Embora para algumas pessoas seja uma árvore de cemitérios para o Jardim, elas são o símbolo dos jardins romanos. Altivos, eretos, esguios e pontiagudos lembram o poderio romano dos seus palácios com belos espaços por onde se passeavam as cortesãs.
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Caixas, caixinhas, gavetas
foto e texto de Benó
Caixas, caixinhas, caixotes tudo serve para guardar, ao
longo da nossa existência, os mais diversos objetos
que nos contam histórias, nos falam de vivências, nos dizem de momentos que formaram um todo que é o nosso passado.
Fotos e
panfletos de viagens feitas a países doutros mundos diferentes do nosso; os
caracóis dos filhos, os primeiros dentes que caíram, as botas que calçaram
quando nasceram. Os livros da instrução primária, os diplomas, as sebentas do
liceu, os poemas escritos na idade das paixões, cartas, postais, coisas do
último século. Deitar fora? Queimar? Não! São parte de nós.
Seria como se se apagasse capítulos do livro da nossa história. Como se nos arrancassem bocados do nosso ser. Tudo o que guardamos são peças dum jogo que temos vindo a fazer ao longo da vida, em que em cada dia se faz um lance.
Mas agora o mundo onde habitamos tornou-se pequeno para manter tanta recordação e, por isso, as caixas foram banidas e substituídas por gavetas onde se arruma o dia a dia sem pensar no amanhã, ali tão perto.
Só o coração tem espaço ilimitado para guardar dentro de si todas as
recordações.
E são tantas!
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
MORCELAS E CHOURIÇAS
Enquanto a amendoeira espera as suas flores brancas e rosadas, o campo
amarelece com a erva azeda.
Apetece-me correr por ali, molhar os pés com a
geada, apanhar um raminho destas singelas flores e enfeitar com ele, como se fosse uma fina jarra de cristal, um
pequeno frasco vazio da pomada dos sapatos que também podia servir, quando era caso
disso, para guardar as pedras de granizo que se acumulavam junto ao muro do
quintal, nos invernos em que a granizada era frequente.
Também podia fazer
grandes varas de chouriças e enfiá-las numa cana para ir vender pela rua. Era
sempre a minha avó que mas comprava por dois rebuçados ao par.
Trabalho fácil. Fazia uma
pequena incisão com a unha na parte grossa do caule e aí enfiava a parte
delgada da erva, de onde saía a flor, formando uma rodela. Enquanto carregava ao ombro a cana com os supostos enchidos, apregoava alegremente com a
minha voz de moça pequena algarvia de gema “Quem quer comprar morcelas e
chouriças?” Então, aparecia a minha cliente habitual que me comprava toda a produção.
Aconteceu há muitos, muitos anos.
texto e foto de Benó
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
FELIZ 2016!!!!!
Antes de se formularem os desejos para o ano que agora
começa, creio que também é importante agradecer o que se recebeu no ano que
acabou.
Muitas foram as desgraças acontecidas por esse mundo mas há
sempre uma réstia de luz seja no riso duma criança ou no abraço dum pobre sem
abrigo..
Desejamos mais saúde, mais alegria em todos os rostos,
trabalho para quem o queira, pão em todas as mesas, sol e chuva na medida justa,
nas épocas certas. Também desejamos o fim das guerras pessoais e mundiais,
estas mais difíceis de se conseguirem, assim como o fim da pobreza espiritual e
material.
Enquanto somos gente sentimos sempre a esperança dum amanhã
melhor.Tanta coisa para mudar!
Haja força e vontade para o conseguirmos.
foto e texto de Benó
domingo, 20 de dezembro de 2015
Boas Festas
foto da net
A estação mais fria do ano tem o seu início este mês. Em
paradoxo, os dias começam a ser maiores, tal como diz o ditado popular “Pelo
Natal crescem o passo dum pardal”. Se é inverno, se os dias são cinzentos,
frios, húmidos e as noites ainda mais compreende-se por que razão as horas
diurnas prolongam-se e dão-nos uns momentos de mais claridade. “Janeiro fora
uma hora e quem bem contar hora e meia há de achar.” É verdade e, no fim de
Janeiro, já se nota alguma diferença na luz do dia.
Para amenizar essas agruras invernosas, promove-se festas,
almoços, jantares entre colegas, entre amizades, oferece-se presentes, troca-se
prendas de “amigos secretos”, há animação musical nas ruas. Grandes árvores de
Natal cheias de luzes coloridas a piscar, Pais Natal gorduchos e barbudos
sentados em grandes tronos oferecem o seu colo às crianças onde serão fotografadas,
para mais tarde recordar. Os centros comerciais precisam destas atrações para movimentar as caixas registadoras.
É o mês das doçuras, dos perdões, dos beijos e dos abraços
retardados, do rever familiares que estavam longe ou mesmo que, estando perto,
parecem estar longe tão longo é o tempo que estão sem se ver.
Deveria ser Natal todos os meses.
Festas Felizes para todos com as rosas do Jardim. Em Janeiro aqui nos encontraremos.
Até lá!!!
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
O Baile
A música
irrompe pela sala em alegres sons oferecidos pelo piano e pela flauta do
conjunto musical escolhido para animar a matinée dançante naquele final de
tarde.
Não há o
fulgor das saias rodadas, dos vestidos feitos à medida, pela modista, especialmente, para levar ao
baile, dos sapatos bem engraxados, dos fatos para eles que, coitados,
transpiravam enfiados nas camisas “slim-line” de colarinhos engomados e de
gravata a apertar o pescoço, dos, já longínquos, anos 60.Hoje como ontem, aos primeiros acordes, nota-se uma certa demora na abertura do baile.
As damas são mais ousadas, têm mais à vontade e, normalmente, são elas quem primeiro pisa a pista numa dança a duas. Vencida a dificuldade de iniciar, rapidamente o espaço se enche com pares que mexem as ancas, rodopiam os corpos, erguem os braços, afastam-se para depois se enlaçarem e continuarem, freneticamente, ao som dos ritmos latino-americanos tão em moda actualmente e que os músicos atiram para o ar em altos decibéis.
Dança-se e
aquece-se. As mãos transpiram e as respirações tornam-se um pouco ofegantes.
Os trajes de
agora são informais e tanto elas como eles vestem “jeans” que até podem ter
buracos, rasgões, estar coçadas, ter as bainhas puídas de tanto roçar no chão e
calçam “ténis” de marca. Elas também se apresentam de sapatos rasos ou de
grandes e altos saltos .
Pelas
cadeiras colocadas junto às paredes sentam-se eles e sentam-se elas. Também
podemos ver elas no colo deles ou eles no colo delas. Se o ritmo agrada,
levantam-se, agarram-se, dançam de corpos colados ou afastados como se cada um
estivesse sozinho, sem par.
Foi assim, numa
tarde dançante num clube recreativo cheio de jovens de várias idades.foto e texto de Benó
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Há rosas em Dezembro
Já se acenderam as lareiras.
Há dias de nevoeiro.
Há um manto cinzento que nos cobre, nos envolve, nos arrefece.
Muitos pensamentos nos afligem.
Muitas perguntas sem resposta nos atormentam.A lenha a arder nos lares atira labaredas que são línguas vermelhas que se abraçam, sobem, largam faúlhas que são estrelas trazendo magia ao nosso olhar e nos mantêm presos ao seu encantamento.
Há muito frio apesar das lareiras acesas.
No fino areal das dunas ainda há corpos estendidos em
perfeito prazer que se prolonga por brincadeiras nas frescas águas do mar azul.
E ainda há rosas em Dezembro.
texto e foto de Benó
Subscrever:
Mensagens (Atom)





