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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Caixas, caixinhas, gavetas


                                                                                                   foto e texto de Benó

 
Caixas, caixinhas, caixotes tudo serve para guardar, ao longo da nossa existência,  os mais diversos objetos que nos contam histórias, nos falam de vivências, nos dizem de momentos que formaram um todo que é o nosso passado.
Fotos e panfletos de viagens feitas a países doutros mundos diferentes do nosso; os caracóis dos filhos, os primeiros dentes que caíram, as botas que calçaram quando nasceram. Os livros da instrução primária, os diplomas, as sebentas do liceu, os poemas escritos na idade das paixões, cartas, postais, coisas do último século. 
Deitar fora? Queimar? Não! São parte de nós.
Seria como se se apagasse capítulos do livro da nossa história. Como se nos arrancassem bocados do nosso ser. Tudo o que guardamos são peças dum jogo que temos vindo a fazer ao longo da vida, em que em cada dia se faz um lance.
Mas agora o mundo onde habitamos tornou-se pequeno para manter tanta recordação e, por isso, as caixas foram banidas e substituídas por gavetas onde se arruma o dia a dia sem pensar no amanhã, ali tão perto.

Só o coração tem espaço ilimitado para guardar dentro de si todas as recordações.
E são tantas!