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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O Baile



A música irrompe pela sala em alegres sons oferecidos pelo piano e pela flauta do conjunto musical escolhido para animar a matinée dançante naquele final de tarde.
Não há o fulgor das saias rodadas, dos vestidos feitos à medida, pela modista, especialmente, para levar ao baile, dos sapatos bem engraxados, dos fatos para eles que, coitados, transpiravam enfiados nas camisas “slim-line” de colarinhos engomados e de gravata a apertar o pescoço, dos, já longínquos, anos 60.
Hoje como ontem, aos primeiros acordes, nota-se uma certa demora na abertura do baile.
As damas são mais ousadas, têm mais à vontade e, normalmente, são elas quem primeiro pisa a pista numa dança a duas. Vencida a dificuldade de iniciar, rapidamente o espaço se enche com pares que mexem as ancas, rodopiam os corpos, erguem os braços, afastam-se para depois se enlaçarem e continuarem, freneticamente, ao som dos ritmos latino-americanos tão em moda actualmente e que os músicos atiram para o ar em altos decibéis.

Dança-se e aquece-se. As mãos transpiram e as respirações tornam-se um pouco ofegantes.
Os trajes de agora são informais e tanto elas como eles vestem “jeans” que até podem ter buracos, rasgões, estar coçadas, ter as bainhas puídas de tanto roçar no chão e calçam “ténis” de marca. Elas também se apresentam de sapatos rasos ou de grandes e altos saltos .

Pelas cadeiras colocadas junto às paredes sentam-se eles e sentam-se elas. Também podemos ver elas no colo deles ou eles no colo delas. Se o ritmo agrada, levantam-se, agarram-se, dançam de corpos colados ou afastados como se cada um estivesse sozinho, sem par.
Foi assim, numa tarde dançante num clube recreativo cheio de jovens de várias idades.


foto e texto de Benó



quarta-feira, 20 de março de 2013

As folhas









As folhas rodopiam numa dança coletiva em que vão todas ao centro como num baile mandado e numa corrida rápida fogem para se voltarem a juntar e rodopiar em ritmo ora suave ora acelerado, onde todos os elementos se entregam e se abraçam.


Assim, as mãos se procuram e se encontram, se escondem e entrelaçam, desunem-se e se afastam, se atraem e apertam para, enfim, desfalecerem inânimes junto aos corpos húmidos e cansados de tanto corridinho.




foto e texto de Benó