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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Erva dos burros

Simples, singela, de cor dourada, esta planta é digna de ser vista num jardim banhado pela lua.


As suas flores abrem-se ao crepúsculo e o seu amarelo brilha ao luar.


As sementes contêm o raríssimo ácido gama-linoleico e está a ser estudado o seu uso no desconforto causado pela menopausa e psoríase entre outras doenças degenerativas.


Uma infusão das cascas e das folhas pode aliviar os espasmos da tosse.

O Jardim d'abrolhos, ao anoitecer, brilha com as suas flores.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Uma tarde


No jardim da nossa vivência passeámo-nos e saboreámos o prazer do nosso encontro.

Lado a lado, caminhámos sobre o saibro do caminho que nos transportaria pelo mundo das nossas fantasias e aspirámos deliciados o perfume da terra molhada
Na larga concha da tua mão, a minha, bem mais pequena, encontrava-se protegida e aquecida pelo suave calor que me transmitias.
Das árvores, as folhas pesadas com a chuva deste fim de tarde inclinavam-se à nossa passagem e despejavam sobre nós as gotículas cristalinas daquela oferta do céu.
O silêncio começou por ser nosso companheiro, mas o assobio do vento e o tamborilar da chuva ecoaram a nosso lado quando começaste as descrições apaixonadas das tuas aventuras e devaneios deixando-me adivinhar relâmpagos e tempestades nesse mar verde e profundo que eu via através das esmeraldas do teu olhar.
Pela tua voz fiquei a conhecer o chamamento das baleias e enebriei-me com o cantar das sereias;
estremeci ao ouvir o gemer do velame das embarcações que dançam ao sabor da ventania. Sempre a teu lado, escutando as histórias que, para meu divertimento e prazer ias criando, sentia-me uma deusa dona e senhora de todo o universo.
Deixa que eu me perca no som da tua voz ,
neste momento de encantamento,
aqui no meu Jardim d’abrolhos.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Aloés floridos

Só, isolada entre as piteiras, espreita em seu redor corando de contentamento pelo espaço onde se encontra.
É assim a flor dos aloés.
O frio chega ao Jardim e estas cabecinhas vermelhas começam a aparecer enchendo de cor e luz todos os cantos e recantos, mais ou menos verdes, deste Jardim d'abrolhos.
Aqui estão elas, firmes e altaneiras, de dedo espetado para o céu como a dizer: se me esticasse chegava lá.

domingo, 10 de outubro de 2010

Choveu aqui

As nuvens carregadas de água foram espremidas como se se tratassem de uma esponja encharcada.

Por alguns minutos, o Jardim ficou debaixo duma chuva grossa que caía direita e pesadamente sobre as rosas e que tornou o relvado num espaço alagado onde o escoamento colocado, bem ao centro, se mostrou insuficiente.

Depois, o sol brilhou e a água desapareceu.
Numa despedida breve ficaram as goteiras a chorar as últimas lágrimas .