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sábado, 21 de janeiro de 2017

Cegonhas







Gosto de ouvir o gloterar das cegonhas. Aquele som tão característico do bater dos bicos transporta-me aos meus tempos de menina.

Recordo, todos os anos, o mesmo casal destas aves voltava para o seu ninho construído no torre da igreja da minha terra para aí depositar os ovos e constituir mais uma família.

As cegonhas são monogâmicas e eu, menina, acabava por entabular conversa com as aves de pernas longas, num tu cá tu lá, como se na realidade falássemos a mesma linguagem. Via-as, ora uma ora outra, a chocar os ovos donde sairiam os pequenos filhos e  esperava ansiosamente o aparecimento das penugentas aves para  com pulos e saltos bater palmas de satisfação. Acompanhava o seu desenvolvimento e ficava triste quando, chegado o fim do verão, pais e filhos partiam para outras zonas mais amenas, onde iriam passar o inverno. Os filhotes iriam constituir novas famílias e eu ficava com a esperança de as tornar a ver no ano seguinte e bateria palmas novamente quando se desse o aparecimento das novas crias.

texto e foto de Benó.

Depois, elas e eu partimos cada qual para o seu destino, com os pais, para longe. As cegonhas não voltaram para a torre da igreja. Eu voltei para a terra que me viu nascer.

Fotografei outras cegonhas e voltei a ser menina.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Ninho


 
Gosto de ouvir o gloterar das cegonhas. Aquele som tão característico do bater dos bicos transporta-me aos meus tempos de menina. Todos os anos, o mesmo casal voltava para o seu ninho construído no torre da igreja para aí depositar os ovos e constituir mais uma família.

As cegonhas são monogâmicas e eu acabava por entabular conversa com as aves que eram sempre as mesmas, num tu cá tu lá, como se na realidade falássemos a mesma linguagem. Via-as, ora uma ora outra, a chocar os ovos donde saíriam os pequenos filhos e esperava ansiosamente o aparecimento das penugentas aves para com pulos e saltos bater palmas de satisfação. Acompanhava o seu desenvolvimento e ficava triste quando, chegado o fim do verão, pais e filhos partiam para outras zonas mais amenas, onde iriam passar o inverno. Os filhotes iriam constituir novas famílias, num outro local, possivelmente,  e eu ficava com a esperança de tornar a ver no ano seguinte as cegonhas minhas conhecidas, e bateria palmas novamente quando se desse o aparecimento das novas crias. Repetir-se-ia o mesmo ciclo da vida.
 
Hoje fotografei cegonhas e voltei a ser menina.
 
fotos e texto de Benó