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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Cinzas









Restos de labaredas, de chamas vivas.
Combustível que ardeu, foi brasa. Madeira ardendo em línguas de fogo a queimar o ar.
Depois, aos poucos, o oxigénio foi rareando.
Extinguiram-se os calores, foram-se os ardores e as chamas morreram.
Ficaram cinzas, cinzentas, quase frias sem calor, apagadas.

Carvões que são recordações.
 
foto e texto de Benó

terça-feira, 19 de maio de 2015

A Tareca





A mesa iluminada pela luz parda do candeeiro de petróleo estava posta.
Parecia não faltar nada. Os copos, os talheres, a garrafa do vinho, a cestinha do pão. A sopa acabada de fazer estava servida nos pratos e o seu odor inundava a divisão onde se encontrava a família já sentada para a ultima refeição do dia.  Só a gatinha ficara na cozinha, a gozar o prazer quente das brasas do lar já quase extinto.

Todos comiam e só se ouvia o tilintar das colheres nos pratos quando a mãe reparou que faltava o jarro da água.
Pediu à filha mais nova para ir à cozinha buscá-lo mas a cachopa, de cabeça baixa, não se mexeu do seu lugar. A mãe estranhando tal atitude tornou a fazer o mesmo pedido.

As lágrimas encheram os olhos pequeninos da criança de cabelos pretos e entre soluços conseguiu dizer:
 -Tenho medo de ir à cozinha porque os olhos da Tareca brilham no escuro, parecem duas brasas.
Ouviram-se as risadas das irmãs mais velhas que deixaram a mocinha meia envergonhada.

O pai levantou-se e pegando na filha ao colo levou-a à cozinha para lhe mostrar que o que a assustava mais não era do que dois olhos de gata, inocente e meiga pronta a receber o carinho dum afago da sua mão rechonchuda e pequena.




um conto contado ao Bloco de Capa Azul

 


segunda-feira, 16 de março de 2015

A árvore

 
 
O cinzento outono me desfolhou. O frio inverno me lavou com as suas águas ora brandas ora tempestuosas.
Sinto-me nua e começo a sentir nos meus braços os beijos mornos da primavera a chegar, sem calor. Ergo-os numa súplica aos céus para que as águas regressem e encham os campos e as lagoas novamente de vida.
Espero as aves primaveris, quero ouvir o seu chilreio nos meus ramos que aos poucos se vão vestindo de verde, quero ver as acrobacias dos seus voos rasantes quando refrescam o bico nas águas que estão a meus pés e me servem de espelho.
A água está parda e eu ainda nua tremo de frio.
Espero o calor doce dos beijos da primavera.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Calor


Gretas, rugas, socalcos a desenharem figuras geometricamente diabólicas na pele da terra abrasada pelas labaredas dardejantes do sol.

A crosta terrestre retrai-se, expande-se, cresta, morre de sede e anseia pelas frescas águas do outono. Secam os ribeiros, definham as plantas e, dos trilhos percorridos pelos caminhantes curiosos em mergulhar na bela flora da costa vicentina, solta-se e anda no ar uma poeira vermelha queimada pelo calor que nos suja e se cola à pele.

É o verão que nos oferece a beleza tórrida destes dias sem vento tão habitual aqui, no cabo.

foto e texto de Benó