Henri Matisse/net
São pessoas comuns, homens e mulheres com quem nos cruzamos
diariamente, que conhecemos por frequentarmos os mesmos locais: o café, a
pizaria, a loja, o mercado e a quem sorrimos num cumprimento casual. Cada um
alberga dentro de si alegrias e tristezas, segredos, intimidades que na sua
aparência, dita normal, não deixa transparecer nem no rosto nem nas conversas
leves e rápidas que ocasionalmente se possam trocar.
Casamentos desfeitos, doenças incuráveis, dependência de
drogas, tudo isto é camuflado com sorrisos de indiferença nos cumprimentos
habituais de “Olá como está?”Nas conversas mantidas à mesa do café cochicha-se o escândalo e uma palavra aqui, outra palavra ali em tom mais elevado é dado a conhecer a razão do burburinho. Trata-se de mais um caso já frequente na sociedade atual. Já nada nos espanta nesta nossa vivência mas não deixei de sentir um profundo calafrio ao confirmar o que me parecia dúbio e, ao mesmo tempo, pensar que o que nos parece sólido pode esboroar-se como um castelo de cartas ao leve sopro, e, como as relações humanas podem ser difíceis e fantasiosas.
Como atrás de um sorriso se podem esconder mil pesares. Como a calma dum olhar ilude a tempestade dum pensamento.
Como desconhecemos quem conhecemos.
