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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Barcos na baía

 
 

Ansiosa, chega à janela que não abre e, por entre as cortinas de fina gaze transparente, olha a calma baía de águas azuis esmeralda, onde o céu se vê e revê tal como Narciso no lago.

De pé, vagarosamente, com as mãos pequenas, põe as vidraças a descoberto e sorrindo alonga o olhar até onde os veleiros de velas recolhidas se encontram fundeados.

Ansiosa espera, pois sabe que, dentro de minutos, alguém virá a terra, possivelmente algum marinheiro para se abastecer de frescos ou simplesmente matar saudades de pisar terra firme. Ansiosa interroga-se: -Como será o comandante de cada iate? Novo, velho? Quantas pessoas viajarão ali? Qual o próximo porto a visitar? Estas e muitas outras são perguntas que ficarão sem resposta pois, Ansiosa não sai da sua janela para ir perguntar, para ir saber, conviver com as gentes que chegam nos veleiros e movimentam as sossegadas águas da baía, enchem os bares, fazem compras, conversam alto nas esplanadas que tomam de assalto e sabem sorrir ao sol quente que os bronzeia. E põe-se a idealizar.

Ela sonha, devaneia fantasias com príncipes audazes e corajosos prontos a raptá-la do seu castelo onde não há relógios, nem agendas ou calendários, onde a vida parou e ela própria se enclausurou, se ermou, num vazio sem horizontes.

Ansiosa vive só com a sua ansiedade.

 
foto e texto de Benó