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terça-feira, 8 de março de 2016

"O Mar o leva o Mar o traz"

 

Sobre a areia, inerte e sem vida o despojo duma gaivota. Não foi o mar que a levou mas foi o mar que a trouxe porque ela não lhe pertence. A maré cheia ali a  depositou no areal dourado, frio e molhado. Enquanto ave voou pelo azul do céu, penetrou nas nuvens, vogou na crista das ondas, mergulhou no verde oceano em busca de alimento. Não sabemos se a sua vida chegou ao fim por imposição da própria vida ou se, pelo contrário, motivos alheios à própria vida puseram um fim à sua vida.
Numa praia, em Sagres, numa manhã de inverno, uma gaivota sem vida.

texto e fotos de Benó

domingo, 11 de outubro de 2015

Fome





Vieram de longe ou de perto. Tanto faz!

Trazem a fome no bico, podia ser na boca, tanto faz.
São aves, podiam ser pessoas.

No cais, comem os sobejos das refeições dos pescadores. Aqui lutam pelas migalhas que deposito sobre a relva, zangam-se pelos restos de pão que algumas conseguem roubar para, em seguida, num voo rápido o perderem.
 
                                 
São aves mas podiam não ser. Tanto faz.
Abrem e batem as asas e grasnam num som agudo feroz de bico aberto. Fazem pequenas investidas a uma ou outra mais afoita quando se atreve a meter um nico de alimento para o papo. Podia ser a barriga. Tanto faz.

É a fome adulta que as torna violentas. Que sabemos nós, se os filhos no ninho não esperam pelo alimento tão disputado?
Fome dos filhos mais sentida, origem de disputas e escaramuças, guerras, mortandade.

Nem só as aves têm fome.


fotos e texto de Benó
 

domingo, 3 de julho de 2011

Numa tarde quente



O perfume adocicado dos aloendros.
O cantar estridente das cigarras.
O calor dos lagartos nas pedras do caminho.

Cheira a figos, a uvas.
Vindimas. Searas. Ceifas
Espigas e papoilas.

Mal me queres. Bem me queres
Muito, pouco, nada.
Recordações dum tempo passado.

Numa tarde quente
Os pássaros deixam o ninho.

Aqui, no Jardim d'abrolhos.