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quarta-feira, 16 de março de 2016

Final do dia

 
 
 
 



 
É um local mítico, onde a hora do banho do astro rei, nas águas do grande oceano, é observada por gentes vindas de longe e de perto. Esperam, também, ouvir os deuses nos preparativos das suas magnas reuniões. Mas esses sons divinos não são audíveis por todos os ouvidos mortais e, nem todos os dias há reuniões, claro.

O cabo regurgita de curiosos nesta hora especial do mergulho da grande bola de fogo, especialmente se há calmaria instalada, como costuma acontecer nos meses  de outono e,  assim, podemos sentar-nos nas rochas à espera do tal momento mágico.



Todos querem registar o mergulho do astro-rei, o seu adeus a mais um dia que termina. Telemóveis, pequena máquinas fotográficas ou outras de grande zoom gravam, para mais tarde recordar,  a despedida do sol que irá aquecer os povos do outro lado do mundo.


fotos e texto de Benó

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Duas pedras

 



O vento, a chuva, a seca, as intempéries resultando numa erosão cuidada e meticulosa, talvez até, artística deram a estas pedras um perfil quase humano. Elas são espectadoras atentas ao que se passa no areal. Sabem quantos bagos de areia são necessários para formar uma duna, compreendem as conversas tidas entre as algas e os limos, ouvem as discussões dos caranguejos com as estrelas-do-mar, conhecem os ventos que sopram dos vizinhos desertos africanos ou aqueles outros, gelados, vindos do norte, onde moram as renas e as focas, também são maltratadas pelas fortes lufadas que chegam do sul, normalmente, carregadas de nuvens pesadas e negras. Entre elas, não perdem uma deliciosa cavaqueira sobre o Bóreas e o Nótus.
 
 
 
 
O sol, indiferente à beleza da onda que enrola e desenrola em brincadeira com as conchas e os mexilhões, segue a sua viagem diária perdendo-se para lá das águas profundas do oceano.
 
 
 
 
As pedras continuarão presas ao mesmo lugar, de onde podem dizer adeus aos marinheiros que passam ao largo rumando a aventuras que elas nunca poderão viver; sempre no mesmo lugar, de onde assistem a grandes tempestades mas também a belas e calmas bonanças; de onde podem extasiar-se ante os coloridos ocasos nas profundezas do infinito oceano; sempre no mesmo lugar, até que o gastar dos tempos as faça tombar, sem dó nem piedade, no fundo da falésia, nas águas que agora lhes beijam os pés, elas ali estão,
 
num local, aqui, perto do Jardim.
foto e texto de Benó

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Ocaso

 
 
 



Aquela bola de fogo que nos aquece e nos prende nos seus fogosos braços, que é sinónimo de vida e fecundidade, esconde-se nas águas do oceano num mergulho suave, sem splash, para ir dar luz e vida a outros seres outras gentes, desde que o mundo é mundo num ritual diário, desde sempre. A bola de fogo incendeia céu e mar, pinta labaredas nas cores mais quentes da paleta divina onde, há poucos momentos, só o azul era cor e, dá lugar a um espetáculo inigualável presenciado por multidões de diversas origens que ficam estarrecidas ante a beleza daquele momento em que o dia já não o é, nem a noite ainda é.

Para culminar, as aves calam-se, o vento abranda o seu queixume e as palmas irrompem num vibrante aplauso à despedida do sol, ali, no fim do mundo. Erguem-se taças borbulhando de líquido que se bebe entre risos e abraços.

E os espectadores mais atentos e místicos ouvirão, certamente, o burburinho provocado pelos deuses que, naquela hora, se reúnem nas salas cavernosas das profundezas do oceano.

Diariamente, no Cabo de S.Vicente.