A música
irrompe pela sala em alegres sons oferecidos pelo piano e pela flauta do
conjunto musical escolhido para animar a matinée dançante naquele final de
tarde.
Não há o
fulgor das saias rodadas, dos vestidos feitos à medida, pela modista, especialmente, para levar ao
baile, dos sapatos bem engraxados, dos fatos para eles que, coitados,
transpiravam enfiados nas camisas “slim-line” de colarinhos engomados e de
gravata a apertar o pescoço, dos, já longínquos, anos 60.Hoje como ontem, aos primeiros acordes, nota-se uma certa demora na abertura do baile.
As damas são mais ousadas, têm mais à vontade e, normalmente, são elas quem primeiro pisa a pista numa dança a duas. Vencida a dificuldade de iniciar, rapidamente o espaço se enche com pares que mexem as ancas, rodopiam os corpos, erguem os braços, afastam-se para depois se enlaçarem e continuarem, freneticamente, ao som dos ritmos latino-americanos tão em moda actualmente e que os músicos atiram para o ar em altos decibéis.
Dança-se e
aquece-se. As mãos transpiram e as respirações tornam-se um pouco ofegantes.
Os trajes de
agora são informais e tanto elas como eles vestem “jeans” que até podem ter
buracos, rasgões, estar coçadas, ter as bainhas puídas de tanto roçar no chão e
calçam “ténis” de marca. Elas também se apresentam de sapatos rasos ou de
grandes e altos saltos .
Pelas
cadeiras colocadas junto às paredes sentam-se eles e sentam-se elas. Também
podemos ver elas no colo deles ou eles no colo delas. Se o ritmo agrada,
levantam-se, agarram-se, dançam de corpos colados ou afastados como se cada um
estivesse sozinho, sem par.
Foi assim, numa
tarde dançante num clube recreativo cheio de jovens de várias idades.foto e texto de Benó





