Ouvem-se
gargalhadas, frases soltas, perguntas feitas que ficam sem resposta entre uma
bica e um pastel de nata ou um galão e uma tosta mista, na esplanada do largo
da vila, onde os diálogos acontecem duma mesa para outra e as palavras são
dispersas pela brisa que gosta de aparecer naquelas horas matinais.
À noite, nas
salas dos restaurantes onde por vezes faltam mesas, aparece um tocador que
poderá ser de gaita, de acordeão, de guitarra ou até de saxofone que, com
músicas alegres e festivaleiras entretém e anima o espaço onde o sussurro das
conversas é acompanhado pelo tilintar das facas e garfos.
Amanhã, muda
o executante, muda o instrumento. Vêm de longe, já percorreram outras terras,
tocaram para outros ouvintes, musicaram outros jantares. Há sempre alguém
generoso na oferta de alguns euros.
Agosto
continua a ser o mês mais movimentado para quem vive e sobrevive do turismo
nestes recantos algarvios.
Mas agora,
setembro chegou e com ele vem também aquela calma outonal que convida a longos
passeios no areal ao fim da tarde quando o sol já é morno e diz – até amanhã -mergulhando
nas calmas águas verde azuladas do nosso mar. Mar que, sem pressa e
preguiçosamente, nessas horas sem hora, na indefinição entre o dia e a noite,
deixa rolos de espuma branca na praia quase deserta criando a ilusão dum
bordado a enfeitar o saiote duma varina.


