sexta-feira, 10 de julho de 2015

Despedida



Para um jovem amigo que partiu rumo ao hemisfério sul.


 
Ventos que vêm, ventos que vão.
Brisas que sopram afagam rostos molhados.

Cabelos pingando água da chuva.
Lágrimas que caem nas mãos que tremem 
Num longo adeus.

Bocas fechadas em sofrimento.
Aves que partem rumando ao sul.
Ondas gigantes em águas tépidas.

Fica a saudade. Fica o amor.
Beijos à espera. Corações abertos.



segunda-feira, 6 de julho de 2015

Passeio no areal

 
 
A lua cheia, gorda, piscava-me o olho  com um sorriso maroto. Fitei-a e apercebi-me dum convite  para um passeio pela praia, por onde os seus braços se espreguiçavam tornando o mar, na sua calmaria, numa extensa planície de luz. 
Aceitei o convite. Como poderia dizer NÃO a quem me piscava o olho e meigamente me envolvia no seu manto de prata fina?
Juntas fomos passear no areal.
Muito conversámos! Ri com as histórias que me contou de quem põe a cabeça nas suas mãos. Quero dizer, de quem anda com a cabeça na lua.
O tempo parecia ter parado.
Já o escuro que estivera oculto se aprontava para fazer a sua invasão estratégica pelo areal fora e retirar a lua do espaço celeste, quando as nuvens, ciosas da luz que dela irradiava, apareceram metediças, feitas em novelos esfarripados, dispostas a anularem aquele esplendor na praia. Antes que a minha amiga gorda e brilhante desaparecesse por completo, enchi-me de coragem e fiz-lhe um pedido. Um pedido que englobasse o mundo inteiro, este mundo redondo que ela tão bem conhece e que está cheio de gentes com vistas quadradas.
 
 
 

Como eu aceitei o seu convite para o passeio, espero que ela satisfaça o meu desejo.
Não revelo o que, com todo o meu querer, lhe solicitei. Quebraria o encantamento.
 
 
fotos e texto de Benó
 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Nuvens





 






Farripos, farrapos, riscos, círculos, bolas, anjos, diabos tudo é possível ver num céu azul decorado com nuvens brancas leves como flocos de algodão doce, vermelhas como labaredas duma fogueira de St.António, cinzentas como as ratazanas, negras carregadas de água que se despejará nos oceanos ou nas terras secas e sequiosas, sedentas e ávidas de bebida.
São nuvens fantásticas, fantasiosas, fantasmagóricas que habitam os éteres e se revêm nos espelhos líquidos que cobrem a maior parte desta bola grande, redonda habitada por gentes de várias cores,  que nunca se entenderam nem vão entender nestes tempos vindouros.


fotos e texto de Benó

domingo, 28 de junho de 2015

Outono

 
 



 

 Rasgado o véu ilusório da juventude, despida de ilusões
Restam sonhos  tecidos em prateados fios, roupagens de folhas secas.



foto e texto de Benó

domingo, 21 de junho de 2015

Vem ver o mar













Ouves o mar?

Faço por aqui o meu caminhar.

Ao fundo, o seu verde reflete também o azul do céu.

Vês ao longe algumas nuvens brancas? Nada que impeça o sol de romper, de iluminar, de nos inundar.

Anda ver o mar!
Escuta-o. Fala com ele. Talvez ele te diga algumas novidades do seu viajar.

Anda comigo. Deixa o Jardim, por momentos.

Anda ver o mar.
Revoltado, agitado, é sempre diferente o seu marulhar.
Manso, calmo, terno, beija docemente as estrelas-do-mar.

Vem!
Anda ver o mar!

Anda e vem sonhar!

 

 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Ambições




Voa alto! Ambiciona!

Passa para lá das nuvens. Pesquisa o desconhecido, estrelas, galáxias, cometas. Talvez encontres a tua lua ou quererás tu chegar ao Sol?

Não és Ícaro, eu sei, as tuas asas não são feitas de cera mas as leves penas que cobrem o teu corpo ardem facilmente, por isso, é conveniente escolheres acertadamente a direcção dos teus voos, as metas que pretendes alcançar.

Há muitos sóis espalhados pelos céus azuis da tua existência que podes agarrar e, com eles, criar luz própria sem te queimares.

As asas que te ajudam a voar longe, por paraísos desconhecidos, são braços que abraçam o mundo.

Não te percas.

Voa, voa alto mas não esqueças que és um simples pássaro neste mundo cheio de aves de rapina.   
 
 
foto e texto de Benó                                                                    

 

 

 

 



domingo, 14 de junho de 2015

Danças





A saltitar nas pequenas patas rosadas, batem e erguem as asas como num pré-levantar voo mas, mais parecem pequenas bailarinas de branco “tou-tou” num “pas de deux” ou de “trois”, executando belos movimentos de leveza e agilidade.

Não é uma dança de cortejamento ou de agradecimento mas, sim, uma dança de guerra, sonora, para afastar as presumíveis candidatas à refeição servida sobre o verde da fresca relva.
 
foto e texto de Benó