Campos de papoilas rubras, elegantes, de sedosas pétalas e
finos caules penugentos que dançam e
se agitam com as brisas que sobre elas perpassam.
Já não são vermelhas, perderam a
cor viva, a cor da alegria. Estão descoradas, tomaram o tom pálido do
descontentamento. Esqueceram os rubros cravos, esqueceram o que é ser livre ao saberem
que as prisões estão cheias de homens, mulheres e até crianças.
Lembram os
escritos proibidos que tantos desejavam ler. Agora, sabem que existem infinitas prateleiras
cheias de livros em grandes casas para os vender mas, não há gente para os comprar.
De que serve saber ler se não se sabe interpretar?
Falta dinheiro para o pão, falta dinheiro para a cultura.
As papoilas vermelhas descoradas lembram as searas douradas onde
nasciam e cresciam e agora veem campos sem espigas, gente sem trabalho, fábricas
paradas sem farinha, mãos sem calos pois não há ferramentas para concretizar
os sonhos dos homens.
As papoilas, símbolo da alegria, estão sem cor e já não
dançam ao som do vento. Pensativas não sabem para que serve a liberdade.



