sábado, 8 de novembro de 2014
Rio sem margens
Abro as mãos, volto-as ao sol, ao infinito na tentativa de apanhar a luz deste dia calmo.
Que recolho? O vazio.
Enterro as mãos no areal, sinto a frescura do mar e quero retê-la mas, ela como a areia escapa-se entre os dedos. O que fica? Nada.
Tento pensar e as ideias são como águas agitadas dum rio correndo sem margens. Afastam-se, diluem-se num infinito alagamento.
texto e foto de Benó.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Mata Mágica
A mata tinha manchas de sol onde as borboletas rodopiavam ao
som de valsas tocadas pelo deus Pã na sua flauta mágica. Nas manchas escuras,
nas sombras dos pinheiros onde a luz não penetrava, habitavam os duendes. Eram
audíveis os sons das suas brincadeiras e as suas alegres risadas subiam pelo ar
num desejo de liberdade mas acabavam por ficar dependuradas nas árvores e só se
soltavam quando alguma pinha ou folha arrancada pelos suspiros de Éolo senhor
dos ventos, tombava no chão. Muito traquinas são os duendes.
Repentinamente, miríades de pirilampos iluminaram a mancha
escura e uma claridade intensa como só os pirilampos são capazes de
proporcionar inundou o espaço onde as figurinhas mágicas da mata habitam.
Um gamo veloz faz a sua aparição numa corrida desenfreada.
Os seus pés tinham asas e o seu peito arfava com a força própria dos grandes
vencedores cujo objectivo é sempre a vitória. Passou rápido e iluminado como um
relâmpago seguiu deixando atrás de si um raio de claridade que ofuscou a luz dos
pirilampos.
Soube-se, mais tarde, que regressou carregado de gambuzinos
para distribuir a todos que ainda acreditam em fadas.
foto e texto de Benó
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Artistas
Nem um “abre-te sésamo”, nem a maior das chaves, a mais
forte ou a mais sofisticada será capaz de abrir essa boca cinzelada no duro
mármore, fechadura impenetrável para uma caverna de emoções, de sonhos e
desejos, que ali se encontra “esquecida”, colocada ao acaso num espaço livre, peça olhada por muitos passantes mas por poucos observada.
O artífice que a esculpiu que lhe deu forma de cabeça, não
lhe abriu os olhos mas só delineou uma boca fechada que não contará os segredos
aí preservados do querer/saber alheio. Sentimentos, recordações, sentires que
nunca sairão do baú de pedra onde se encontram. Serão como pedras depositadas
no fundo do rio do esquecimento.
A ferramenta que o artista
empunha seja pincel, cinzel, caneta ou outra qualquer, através da mão que a
segura é o transmissor dos seus mais desconhecidos anseios ou desejos
guardados/camuflados no mais profundo do seu íntimo. A sua obra fala deles e
deixa antever um pouco do seu autor sem que ele o queira.
Na Fortaleza de Sagres entrei,
passei e senti, num dia sem data.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Lembranças
Mãos que
viajaram europa adentro sentiram outros tatos, mergulharam noutras águas,
dedilharam outras músicas, ensaiaram outros gestos, acenaram despedidas. Mãos
que se fecham para guardar as gargalhadas das crianças, os afetos que recebem,
a felicidade que merecem, mas que se abrem para espalhar felicidade, amor,
vontades traçadas num querer sem esmorecer, afagam, seguram e amparam.
Trouxeram-me
lembranças que são carinhos.
Praga
Vaticano
Obrigada, meus filhos.
sábado, 30 de agosto de 2014
Verão
Estás de
partida, verão morno sem calor. Levarás contigo recordações das horas vividas
entre amigos que vindo de longe encheram de alegria os momentos mais solitários
deste Jardim d’abrolhos por onde descanso. As folhas iniciarão a sua dança ao
som da orquestra que o outono transporta consigo deixando vazias as mãos que
tentam agarrá-las numa tentativa de retardar a sua nudez.
Daqui a uns
meses, não muitos, voltarás igual, mais quente, mais ventoso, sorridente ou não,
serás a estação onde os comboios despejam sonhos, esperanças, ilusões.
Inicia a tua caminhada para outras terras onde
verás outras gentes de outras cores, com outros costumes e hábitos. Brevemente,
ficará frio e o Jardim estará mais verde sem o colorido das flores que agora o
enchem de alegria e, eu sentar-me-ei à lareira sonhando, talvez, com as risadas
que ainda se ouvem pelos canteiros.
foto e texto de Benó
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Segurança
Os passeios fizeram-se para as pessoas caminharem em segurança mas parece que também as bocas de incêndio e os sinais de trânsito precisam dela.
Nota: Tenho um emplastro de publicidade colocado na mensagem anterior a esta que não deixa ter acesso ao Jardim d''abrolhos. Veremos se com esta nova mensagem ele se descola.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
A lua gorda
A lua inspiradora de várias coisas quis brincar comigo. Com a máquina fotográfica fiz-lhe a vontade e por entre árvores e arbustos consegui fixá-la.
Começou por aparecer grande e brilhante, radiosa na sua luminosidade.
Já vinha cansada de percorrer tanto céu e resolveu descansar sobre as folhas do arbusto
Farta de ser redonda apeteceu-lhe virar cogumelo.
Acabou por ir embora, rápida, numa fugida.
Pequenina entre as folhas da palmeira despediu-se.
Já vinha cansada de percorrer tanto céu e resolveu descansar sobre as folhas do arbusto
Farta de ser redonda apeteceu-lhe virar cogumelo.
Acabou por ir embora, rápida, numa fugida.
Pequenina entre as folhas da palmeira despediu-se.
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