segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A lua gorda

A lua inspiradora de várias coisas quis brincar comigo. Com a máquina fotográfica fiz-lhe a vontade e por entre árvores e arbustos consegui fixá-la.
 
 
 Começou por aparecer  grande e brilhante, radiosa na sua luminosidade.


 Já vinha cansada de percorrer tanto céu e resolveu descansar sobre as folhas do arbusto



 Farta de ser redonda apeteceu-lhe virar cogumelo.


 Acabou por ir embora, rápida, numa fugida.
Pequenina entre  as folhas da palmeira despediu-se.


                                     

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Casos ao acaso

 
 

Conversas ouvidas por acaso, ao acaso, numa qualquer esplanada vendo o ocaso do dia escolhido ao acaso, entre os muitos que, por acaso, povoam as minhas tardes.

Entre as “imperiais”, as pevides e os tremoços estrondeavam gargalhadas, chasqueava-se e o divertimento parecia reinar sobre as mesas redondas, numa brincadeira de larga e pega.

O grupo era pequeno em número mas grande na boa disposição que mostrava. Todos exibiam nos seus corpos elegantes, aquele invejável bronzeado que o bom sol algarvio oferece. Elas, de shorts, bem shorts, esfarripados, abaixo do umbigo ornado com um “piercing” e eles de bermudas naqueles padrões que fazem lembrar os indígenas do Havai. Elas ostentavam os seios resguardados em tops ousados, eles exibiam t-shirts de marcas superconhecidas.

Os temas que originavam a boa disposição eram diversos, ocos, vazios de interesse para mim que os escutava enquanto bebericava o sumo de laranja da manhã.

O livro que leio, actualmente, era um mero adorno pousado sobre a mesa, pois à minha volta as conversas, de tão abstractas, prendiam-me e eu tentava registar expressões, frases, os gestos de quem falava ora agressivamente, ora com doçura e suavidade para encontrar o que eu chamo de substancia, naquelas reuniões de ocasião.

Um dos meus passatempos, neste mês de Agosto, é deixar o Jardim d'abrolhos e sentar-me numa qualquer esplanada, ao acaso, a observar a fauna que nos visita  ouvindo-a falar sobre temas sem tema. Recolho, sempre, matéria para muita escrita.
 
foto e texto de Benó

terça-feira, 29 de julho de 2014

Leituras ao acaso

 
 
 
 
Numa manhã de descanso, peguei neste livro, abri, aleatoriamente, numa qualquer página e li:
"Não me preocupa o meu marido ou o que lhe possa acontecer com os estranhos, não me preocupa que a manhã chegue ou não chegue embora haja menos móveis de dia que de noite e a casa em que não confio finja que me aceita não tentando expulsar-me, aprendi à minha custa a não acreditar nas casas sempre a enxotarem-nos para a rua ou a cercarem-nos de tralha..."
Fechei o livro e os olhos. Eu preocupo-me.

domingo, 20 de julho de 2014

Ausencia





Dei  uma volta e verifiquei que há mais de 30 dias não venho postar no Jardim d'abrolhos.
Talvez não tenham dado pela minha falta mas eu sinto a ausência da escrita.
Não sei quando voltarei com a regularidade que gostaria mas, penso que, com a chegada do outono, a minha estação preferida, possa, enfim, retomar as atividades que gosto: pintar e escrever.

Até lá, com este dizer de Maria Antonieta no livro "As Luzes de Leonor":

"É na desgraça que melhor sentimos o que somos"

domingo, 15 de junho de 2014

Analogia


 
 
 
 
Para lá da terra seca e árida há a frescura do verde mar, meu abrigo e refúgio em dias de vendavais interiores.
 
 

fotos e texto de Benó

sábado, 31 de maio de 2014

Ondas na praia

 
 

 
 
 
Como cavalos selvagens a correr desenfreados num campo sem barreiras, as ondas cavalgam desordenadas em direcção ao areal. Abafam o leixão, mais à frente afogam os pequenos ilhéus agora desnudados e, espumosas numa raiva incontida estendem-se em grossas línguas sobre as pedras soltas que num vaivém rebolado emitem um queixume dorido e saudoso das areias finas e douradas que as cobriam.
 
fotos e texto de Benó

 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Brinquedos



Nos dias que correm apressados, os pais veem-se confrontados com a falta de tempo para dedicar aos filhos, às suas brincadeiras, aos seus pequenos problemas. O simples ato de por a mesa, levantar os pratos é uma boa ocasião para se conversar, se rir, se inteirarem de como foi o dia de uns e de outros. Por de lado os jogos eletrónicos, brincarem mas não esquecendo, nunca, que além de companheiros de brincadeira, os filhos querem que os seus pais sejam PAIS para os aconselharem, os protegerem, os amarem acima de tudo.
Li a frase que ilustra a foto, algures por aí, e achei-a de uma pertinência atual que não resisti a publicá-la.