quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Flores


Vou compor um ramo de felicidade com alguns beijos e abraços à mistura que rematarei com um laço bem apertado de sorrisos.Com ele, enfeitarei o decote da blusa.
Dançarei à chuva e o vento não calará a canção que entoarei.
Sei que vais gostar.

foto e texto Benó

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Refúgio




Por detrás das grades
Habita uma princesa feita fantasia.
É prisioneira dos seus sonhos e desejos.
Grades que ela própria inventou
para defesa dos gigantes que criou.
As grades não existem, são utopia.
Fantasia
de quem teme a realidade.

 


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Sagres e o seu mar em dia de reis

O mar também pode ser um jardim onde as anémonas florescem e as algas se passeiam por entre cavalos marinhos e peixes coloridos.
Neste dia 6 de janeiro, consagrado à monarquia - dia de reis - , cavalos correram à rédea solta sobre este mar revoltado, irado que galgou falésias, destruiu restaurantes, chegou onde lhe era proibido chegar, inundou abrigos, causou o caos.
Tentei captar, nalgumas fotos,  a expressão duma força imbatível comandada por um querer absoluto.
                             
                              Lava branca dum qualquer vulcão em erupção no fundo do mar.

                                                  Cavalos selvagens de crinas ao vento                                   

                                         
 
 
O rebentar duma fúria recalcada
 
                                                                                                           
                                                                                              fotos de Benó
 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Natal sem perú







Neste natal, o perú não teve lugar à nossa mesa.
Um montão de penas, um monco escarlate numa cabeça careca adornada com um grosso bico ficaram em liberdade na quinta onde vagueiam outros iguais cantando o seu glu-glu num coro natalício.

Foram outras as preferências gastronómicas mas, ninguém se aborreceu nem ficou de monco caído; à volta da mesa com os pratos a fumegar houve alegria, conversa animada  e a união familiar foi o elo forte que produziu o calor suficiente para que ninguém se constipasse  e ficasse de monco à vela. No entanto, nesta época de frio, o jardim anima-se com os vermelhos exuberantes dos moncos-de-perú.
 
fotos da net



sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A teia de aranha

                                                                                           
                                                          foto de Justine do blogue "Quarteto da Alexandria"

A aranha cria uma teia ou uma rosa
numa teia
não para outra aranha companheira
obviamente para uma mosca
mas pelo prazer de a tecer
ela ateia a delícia do seu prazer
e quase se esquece da mosca
ou de todo se esquece
pelo prazer de a tecer
como uma estrela uma rosa ou uma renda de fios
tão finos
que na sua evidência de insignificância aérea
de todo se esquece da sua mosca intencional
que de qualquer modo acaba por ser caçada e devorada
num tapete de linhas transparente
era para ela sim caçar a mosca
mas como um pretexto
para tecer a teia como um texto
que ela tecia e girava
na autónoma delícia do prazer.

poema de António Ramos Rosa, poeta algarvio

sábado, 14 de dezembro de 2013

Um pedaço de mar

 
 
 
 
Um pedaço de mar, só um pedaço, melhor ainda, um pedacinho desse grande oceano, que dá pelo nome de atlântico, entra no porto de abrigo aqui, à minha frente e suavemente faz baloiçar os pequenos barcos que se encontram em descanso. Foi assim, hoje, aqui no porto da baleeira, perto do Jardim d'abrolhos, em que o vento soprava forte causando alguma ondulação fora da doca.



texto e fotos de Benó

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

INFANCIA

 
 
 





Esqueço o jantar.
Roupa para engomar.
Que importa brinquedos no chão
Quartos por arrumar
Almofadas a servir de colchão.
Ignoro os gritos dos índios.
Os tiros dos "cowboys".
Correrias, atropelos.
Estou dentro, entro na onda.
São muitos os apelos.

Transformo-me, transfiguro-me,
transporto-me meio século para trás.
Jogo ao ringue, salto à corda, faço rodas.



Sou novamente criança
Companheira de aventuras, das escondidas.
Rejuvenesço.
Revivo com a petizada
Os sonhos, as esperanças,
Risos, lágrimas, abraços, despedidas.

Somos camaradas em férias.