Entre piteiras e catos, neste jardim d’abrolhos, sou quem
sou.
Mulher, mãe, avó.
O aconchego, o carinho, o amor. Pele morena enrugada, cabeça
nevada. Mãos largas nos carinhos oferecidos, braços pequenos para tantos
abraços recebidos.Sou o oceano revolto quando chega o vento do desespero.
Sou a frescura do oásis em dias de revolução.
Sou a inocência infantil no jardim das crianças.
Intransigente no querer, no estar. Exigente no saber.
Ficcionária, onírica, ave solta. Livre no escrever.
Procuro a verdade da vida, no ler. As letras são mundos desconhecidos.
Viagens a descobrir.
Seguro a vida que vai aos poucos caminhando pela estrada que
construí. Seguro-a, firmemente, enquanto rodeada de outras vidas que, juntas, formam
um todo: a minha própria vida, a minha existência. Não me pertenço.
Não estou só.
Sou quem sou.
Mulher, mãe, avó.
texto e foto de Benó




