domingo, 7 de fevereiro de 2010

A Pequena Sereia




As sereias, seres mitológicos que com os seus cantares encantavam os marinheiros, sempre despertaram o interesse dos poetas e dos contadores de histórias.

A Judite Pitta sem ser uma coisa nem outra, é artista e, pondo de parte, temporàriamente, os seus pincéis, fez esta pequena estatueta com materiais usados e ofereceu-ma.


Achei por bem colocá-la no tanque dos peixes esperando que o seu reflexo não a faça cantar mas lhe sirva de companhia pois, os habitantes destas águas, nesta altura do ano, estão com frio e não vão aparecer para a cumprimentar.
Além de sereias ela,Judite Pitta, mulher algarvia e com o mar sempre presente, faz também outras figuras como pescadores e surfistas e o mais que a sua imaginação lhe ditar.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O Narciso

Aos poucos o jardim vai ficando colorido.
Ontem foram as flores dos hibiscos; hoje são os narcisos que começam a desabrochar. Amarelos e belos estão a encher os canteiros de côr, como a anunciar com as suas tombetas a chegada da primavera.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Hibisco



Resistentes aos frios e às geadas, os hibiscos são os arbustos que, nesta altura do ano, em pleno inverno, têm a coragem e a força para florir.
Os seus botões, singelos e frágeis, soltam-se fàcilmente do raminho que os alimenta, mas aqueles que conseguem vingar e suportar os ventos que de vez em quando se passeiam por aqui, oferecem-me a possibilidade de poder admirar esta beleza que compartilho convosco.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Intempérie

A chuva, o vento e o frio, elementos da natureza que Sagres não costuma ter durante muito tempo, este inverno, implantaram-se aqui e tem sido difícil, principalmente às flores, suportá-los.
Esta Primavera do Jardim conseguiu resistir a tudo isso e, agora, com uma temperatura mais amena, ei-la que se abre para o sol e oferece-me a beleza das suas flores rosadas.
Pequenina, rasteirinha, junto ao chão, esta encontra-se entre pedras, rodeada de hera. Não precisa de cuidados especiais, é só limpá-la à medida que fôr envelhecendo.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Uma Visita


O Sol, hoje, visitou-me.

Chegou cedo, pela manhã que ainda se encontrava com um olho aberto outro fechado, envolta na neblina húmida que lhe servia de manto.

Abraçou-me e afagou-me os cabelos pondo neles reflexos de prata.

Rápidamente, o calor dos seus carinhos foi aquecendo e a manhã, ràpidamente se despiu e envergou um traje mais apropriado à ocasião. Sim, porque esta visita do Sol, merecia ser comemorada.

Queria sentir algumas horas do seu calor e agarrando-o, fortemente, fomos juntos pela manhã, percorrer os caminhos das nossas recordações. Há tanto tempo que ele não aparecia e, sinceramente, já tinha saudades da sua presença.

Sentei-me numa pedra cheia de velhas histórias e deixei que brincasse com as minhas mãos e as aquecesse.

Dentro em pouco, irá mergulhar no mar.

Não sei quando voltarei a vê-lo.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Bisbilhotices

Estavam a viver-se momentos de profundo recolhimento.
A sala apresentava-se composta no seu recheio com eles e elas sentados em assentos que deveriam ser fofos.
O momento, solene, convidava ao silêncio profundo e cada um, recolhido dentro de si próprio, deveria orar ou, talvez, fazer o seu Acto de Contrição. O Rosário ornamentava as mãos que seguravam o Livro.
Dentro de momentos iria começar a cerimónia.

Uns sapatos ouvem-se sonantes no seu percurso para a assembleia.
As cadeiras não conseguem segurar os volumes que as ocupam e, como obedecendo a uma só voz, voltam-se para trás numa curiosidade despropositada e imprópria para o momento que está a decorrer.


É só alguém que entra para se juntar aos participantes.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

As Corujas

Durante o dia, o adro da igreja servia de palco às mil brincadeiras dos pardais.

Num corre-corre desordenado, as pernas movimentavam-se em saltos e correrias assim como as asas se agitavam em volteios graciosos para cima e para baixo, para a frente e para trás riscando o ar em figuras abstratas e invisíveis.
Os rapazes da Vila sabiam manter uma convivência perfeita com as aves frequentadoras daquele espaço.

Os dias de verão são longos mas as horas eram poucas para tanta brincadeira impossível de ser vivida e convivida nas grande cidades de onde muitos rapazes vinham para passar férias.

Depois do jantar e nas noites menos enluaradas, era a vez das aves noturnas aparecerem e jogar-se "a prova da coragem".
Os rapazes mais novos e, talvez por isso, mais medrosos, eram desafiados pelos mais velhos a passar em andamento normal, sem correrias, junto à janela da sacristia.

Acontece que uma coruja de grandes olhos negros tinha lá o seu poiso.

Quando o pretendente a valentão se aproximava, era o pássaro que se assustava e fugia para a árvore mais próxima, riscando o ar num vôo lento e silencioso.

A menina ia com o irmão assistir àquelas provas de coragem.
Ela também tinha medo da coruja da sacristia com aquele bico adunco e uma cabeça bem diferente das aves diurnas que esvoaçavam alegremente quando se aproximava.

Hoje, já mulher, continua a assustar-se com as corujas da sacristia.

Ainda esvoaçam muitas por aí.