quarta-feira, 6 de maio de 2009

QUIM



Menino!!
Venha limpar o nariz!!!
Sempre de FAROL aceso, esta criança!

Na altura das favas, pela chegada da primavera, era certo e sabido que o Quim andava sempre de ranho à bica e, que de volta e meia, limpava o nariz à manga do bibe AZUL, o que irritava a velha Maria.

Quim gostava de comer favas verdes, cruas e isso provocava uma limpeza tão grande na caixa brônquica que, aquelas secreções esverdeadas e pastosas, estavam sempre a assomar por aqueles dois buraquinhos que se encontravam na sua cara, imediatamente acima da boca gulosa de favas.

Ao entardecer, pelo imenso pátio empedrado, onde se situavam as baias dos cavalos, estes entravam produzindo com os seus cascos, um barulho cavo, semelhante àquele MAR em TEMPESTADE que ele tanto gostava de ver.
No fim do dia, depois das brincadeiras, o Quim sentava-se no poial da cavalariça, ERODIDO pelo pisar constante das botas cardadas de várias gerações de almocreves, e olhava o CÉU, enquanto comia uma fatia de pão barrada com banha cor-de-rosa feita pela Maria, na última matança de porco.
Apesar da sua tenra idade, gostava de COMUNGAR de toda aquela vivência das gentes do campo e identificava-se perfeitamente com os seus hábitos.

Nss seus sonhos de criança, numa FUSÃO de inocência e DISTANCIAMENTO da realidade, havia aquele desejo AVASSALADOR de querer ser pastor.
Andar por montes e vales a guardar as suas ovelhas, a atirar pedras à ribeira, onde os animais iam beber, antes do regresso ao redil, naquela hora AMORTECIDA das trindades, correr e saltar, apanhar rãs e armar aos pássaros.

O Quim gostava de favas tenras mas, naquele dia do seu aniversário que iria coincidir com o domingo de Páscoa, o seu almoço seria borrego guisado com batatas, cozinhado num IMENSO tacho, para toda a família que viria também, para celebrar a ressureição de Jesus.

As férias estavam a terminar e o Quim voltaria para o colégio na cidade, onde não havia vacas nem porcos, nem céu estrelado, nem a Maria para lhe limpar o nariz.

O Quim iria ter saudades.


Este texto foi escrito para o 13ºjogo das 12 palavras. Para comemorar o 1º aniversário deste passatempo foram utilizadas as mesmas palavras (aqui escritas em maiúsculas) do 1º jogo. Dado que o grande impulsionador desta aventura, de que resultou um livro colectivo -22 OLHARES SOBRE 12 PALAVRAS, editado pela Edium, se encontra ausente e doente, o que o impossibilita de dar seguimento a esta "brincadeira", resolvi publicar o meu conto, depois de lhe ter comunicado esta minha decisão.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

DENSIDADES

Com a sensibilidade de diversos olhares, vários foram os sentires para a palavra DENSIDADE, da FotoDicionário desta semana.


Sagres, caminho da Lagoa Garcia, junto ao Perímetro Florestral
Este foi aquele que enviei.
Mais uma panorâmica desta terra por onde me passeio e que me oferece o belo sol algarvio e o mar... imprescendível no meu viver.

Observem também todas as densidades que colaboraram no PPP.
Estas são as que ficaram na "gaveta", cada uma com a sua própria densidade.
Coimbra e a sua feira de antiguidades com a densidade dos seus feirantes.
Sagres acolhe os motares para a benção duma forte densidade de capacetes.
Cordoama e a densidade da sua beleza ao entardecer.
fotos de BENÓ

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Flores do mato

Sem tratamentos especiais, nem regas gota-a-gota
são baixinhas,... as caricias do vento norte não as deixam subir e elas também não são vaidosas

Coabitam no mesmo espaço que é vasto oferecendo-nos lindos matizados que embelezam o mato que lhes serve de protecção.


Junto à praia do Tonel, no parque de estacionamento da Fortaleza, vi estas flores.
FLORES DO MATO

sábado, 18 de abril de 2009

Sapo, sapinho....

Apareceu.
Não foi oferecido nem comprado.
Apareceu, simplesmente, junto do tanque dos peixes, na zona dos vasos das hortenses.
É todo verde e deixou-se fotografar fàcilmente. Creio que, quando fôr grande, será um actor de cinema.
É lindo o meu sapinho verde!





sexta-feira, 10 de abril de 2009

sexta-feira, 3 de abril de 2009

POR CÁ

O Martinhal visto da Baleeira
A Cordoama ao entardecer

O azul da Mareta


O jardim para todos nós.



segunda-feira, 30 de março de 2009

Pescador de sonhos


Ele era o BENJAMIM da companha daquele barco, fonte do seu ganha-pão.
Tinha a CORAGEM necessária para enfrentar todos os mares alterosos, raivosos, medonhos, habitados por gigantes que seriam o temor de qualquer pescador mas não dele.
Na SIMPLICIDADE de homem do mar passava as suas horas de folga a TECER as malhas da rede que seria lançada pelos braços fortes dos seus camaradas, para a captura do peixe que, em PARTILHA igual renderia o mísero sustento de todos.
No vai-vem da agulha de emalhar sonhava com o AMOR da mulher que estava em casa, sempre fiel e à sua espera, para o cobrir de beijos, tal como o BEIJA-FLOR fazia todas as primaveras quando visitava a roseira vermelha plantada por si, junto da janela da cozinha.
No seu sonho de homem do mar apaixonado, havia o desejo de ser poeta.
Gostaria de fazer versos, talvez sonetos como o Camões ou ODE(s) que ele, na VERDADE, não sabia muito bem como era, mas lembrava-se de ter ouvido a professora falar qualquer coisa sobre isso nas aulas nocturnas.
Também sonhava ter uma FLAUTA para tocar nas noites de Inverno durante o defeso, para não ouvir o vento zunir nas frinchas das portas como uma MALDIÇÃO.
Faria lindas músicas e versos que falassem do amor para a mulher cantar, naquela voz doce que só ela tinha.

O chamamento do mestre da tripulação despertou-o do devaneio em que se encontrava. Era a hora da refeição e como não tinha havido captura de pescado, iriam comer as VITUALHAS que sempre existiam a bordo para suprir as falhas do mar.
Isto não era sonho mas a realidade dum pescador sem pesca.


12ºjogo das 12 palavras. Outras leituras aqui



foto minha, do monumento Ao Pescador na Vila do Bispo.