terça-feira, 6 de janeiro de 2009

As janeiras




Esta noite vieram cantar as Janeiras à minha porta.
Fui visitada por dois grupos. O primeiro era composto só por senhoras e o segundo também com senhoras mas acompanhado por um adolescente que tocava, e muito bem, uma flauta.
O frio fazia-se sentir mas com a alegria dos cantares até as cores embelezavam os rostos das cantadeiras. Gostei de ver e de ouvir.
Este mês era na época romana, o mês do deus Jano, o deus das portas e da entrada. Era-lhe pedido que afastasse das casas os espíritos maus sendo especialmente invocado no principio do ano. É um hábito pagão que, como tantos outros, o nosso povo adaptou dando-lhe também um cariz religioso.
Reúnem-se amigos e vão cantar de porta em porta, acompanhados ou não de instrumentos musicais como flauta, viola, pandeiretas, etc.
Terminada a canção numa casa, espera-se que os donos tragam as janeiras, que hoje em dia, é chocolates e dinheiro, mas também nozes e chouriço. No final de todas as visitas, comem o que angariaram e com o dinheiro, normalmente, fazem um almoço ou algum passeio.
Como não fiquei com a letra de nenhum grupo que me visitou. Deixo-vos com esta que retirei do “Livro de Menino Deus” de Aquilino Ribeiro.

Menina que está ao lume
Sentada no preguiceiro.
Corte lá uma chouriça
À vara do seu fumeiro.

A sua adega tem vinho;
De beber nos pode dar;
Tem porco na salgadeira,
Já não falta que trincar.

Levante-se daí, senhora,
Desse banquinho de prata;
Venha dar-nos as janeiras,
Que está um frio que mata.

Aos dois grupos que me visitaram os meus agradecimentos públicos.





domingo, 4 de janeiro de 2009

METAMORFOSE

metamorfose de Narciso por Salvador Dali

Sempre ao fim do dia, depois de horas extenuantes dum trabalho cansativo, havia encontros e REENCONTROS naquele quarto que agora se encontrava ILUMINADO pela luz cinzenta daquela tarde de Outono.
Aí, encontravam-se para descansar e conversar sobre banalidades, dois seres, sem história.
Libertavam a imaginação e, deixavam de ser, os profissionais sagazes e competentes, capazes de usar, com extrema habilidade, todas as CARTAs do seu baralho para, rapidamente, aniquilarem os seus adversários, para, passarem a ser, naquele espaço liberto de mentiras e veleidades, dois simples humanos.
Ali, sem fazer “bluff” ou usar de qualquer SOFISMA, abriam a sua alma, entregavam todo o seu jogo e, colocavam em cima da mesa, os seus mais puros sentimentos.
Havia uma MUDANÇA do real para a fantasia.
O PARALOGISMO usado nas conversas ajudava-os na metamorfose e fazia-os esquecer a parte mais negra da vida. Tranformava-os em libertos sonhadores que, falando sobre nada, viviam momentos de verdadeiro abandono às coisas térreas.Naquele dia, porém, o “PATRONO”, pedira para ser feita uma averiguação mais profunda ao caso a que chamaram “ORACULO”, a fim de ser possível DESVENDAR toda aquela cumplicidade do trama que tinham entre mãos já há algum tempo e cujo desfecho estava tão díficil de encontrar.
DECIDIDAMENTE, era obrigatório trabalhar a sério e deixar as quimeras para outra ocasião.


A ALVA manhã foi encontrá-los adormecidos sobre a mesa de trabalho, rodeados de papéis manuscritos, livros abertos, chávenas de café vazias e um sorriso de BONDADE no rosto de cada um.

Era bem visível que tinham encontrado a solução do problema em estudo mas, por fim, também o cansaço os tinha apanhado e vencido.

esta foi a minha participação no 9ºjogo das 12 palavras.

Poderão ler mais aqui

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

O ADEUS



Acabaste os dias da tua existência. Desta vez tiveste a sorte de ter mais um dia do que o habitual….366 e, por isso, foste chamado de ano bissexto.
Quero agradecer-te por teres deixado que, ao longo da tua permanência, eu me mantivesse viva e forte, capaz de proporcionar aos meus familiares e amigos o bem-estar que eles merecem.
Obrigada por ao longo dos teus 366 dias, eu tivesse sido feliz por poder ouvir o mar, ver os campos, sentir o sol e a lua poder beijar a abraçar.
Eu te agradeço, por neste mundo e ao longo destes teus dias muitas crianças tivessem nascido, as flores eclodido, as árvores dado sombra, os barcos sulcado os oceanos e os aviões cruzado os ares.
Partiste, mas não sentirei saudades pois, também a tua existência foi palco de muitas guerras, muita fome, miséria e incompreensão entre os homens.
Com esta minha despedida, espero que o teu substituto, saiba tornar felizes todos os habitantes da Terra, não haja fome e que todas as crianças tenham lar.
Adeus 2008!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

ITINERÁRIO



Ao congratular-me por termos à nossa disposição, mais um livro de poesia de Vieira Calado, meu antigo professor de Astronomia, presto-lhe uma pequenina homenagem publicando o poema do seu

Como gosto do Outono, escolhi entre outros, igualmente do meu agrado, este

Parabéns poeta e que a musa continue a fazer-lhe companhia!

sábado, 13 de dezembro de 2008

Aconteceu na FNAC da Guia/Algarve




Os ouvintes espalhavam-se pela sala a isso destinada e também pelos espaços adjacentes.
Íamos ouvir falar sobre Sagres, melhor dizendo, sobre o livro

SAGRES Uma Vila do sec. XV

O apresentador, Prof.José António Martins, Mestre em História Medieval, explicou as razões do lançamento deste livro, pois

“Todos conhecemos o fascínio que Sagres possui para toda a Humanidade, especialmente para o mundo Ocidental. Para uns, o local mítico da sua localização e da sua ancestralidade associada à Antiguidade Clássica. Para outros, a não menos mítica e lendária Escola de Sagres associada ao Infante D.Henrique que os historiadores do nosso tempo se esforçam por contradizer e que a documentação legitima como nunca ter existido.”

Assim começa a Nota Preliminar do livro em causa, cuja leitura vos aconselho.Ficarão a conhecer mais um pouco desta ponta do Algarve onde, no verão, o vento norte impera e as praias de areia dourada são as delicias de surfistas mas também dos amantes de águas calmas e transparentes.

No inverno, Sagres regista as temperaturas mais amenas do país convidando a brincadeiras e longos passeios ao ar livre.




A assistência enquanto aguardava o começo da sessão.



Momento de poesia pela Liliete Cardeira

Aconteceu na Fnac da Guia/Algarve.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Mais um convite para uma festa de lançamento no Palacete dos Vicondes de Balsemão, no Porto.

Os meus desejos de ÊXITO ao Homem, Poeta e Romancista.

E, aqui fica o meu contributo, com a publicação deste seu poema:



A vida sem palavras


Entre riso e sangue,
cabeça e espada,
entrada e saída,
flor e escarro,
sempre a vida,
a vida sem mais nada,
entre estrela e barro.


Entre homens e bichos,
entre rua e escadas,
entre grito e nojo,
a vida com seus lixos
e mãos violadas,
entre mar e tojo.

Entre uivo e poema,
entre trégua e luta,
vida no cinema,
no café, na cama
,
vida absoluta.

sábado, 6 de dezembro de 2008

ESTRELAS, ASTROS E COMETAS

No meu universo existem 4 estrelas à roda das quais eu, simples lua, gravito.

Umas maiores, outras mais pequenas, umas mais velhas, outras mais novas mas, todas elas duma forte e densa luminosidade. Em constante movimento de rotação e translação que, por vezes, me faz perder a gravidade, nunca ocupam o mesmo lugar neste firmamento familiar.

Eu, como simples lua, sou iluminada pelo brilho que elas irradiam, gravito em função das suas necessidades e desejos e, existirei enquanto estas minhas quatro estrelas brilharem neste céu que é o meu habitáculo.

Nestes próximos dias, haverá uma mudança na constelação caseira e, deixarei de ser lua para ser a estrela principal.
Serei o astro responsável por essas quatro estrelas providenciando para que o calor necessário ao seu desenvolvimento não falte e a matéria necessária ao seu alimento não acabe, pois o seu universo que é preenchido com nebulosas, chuva de meteoritos, buracos negros, estrelas cadentes, arcos-iris, etc.. precisa disso tudo acompanhado de muita atenção e carinho

Depois, e já no novo ano lunar, irão novamente para o outro sistema solar, ao qual, realmente, pertencem e eu, simples mortal, voltarei a ser a sua lua gravitando à volta dos seus desejos e vontades e profundamente feliz por fazer parte desta grande nebulosa que é a FAMILIA..