
Hoje foi dia de mexer na baú de recordações.
Fui lá encontrar, talvez já guardadas pela minha mãe ou avó, algumas rendas de que nem sei a idade.
Muitas das mulheres da geração anterior à minha dedicavam-se a bordar, a tricotar, fiando e cardando a lã, iludindo o tempo nas longas noites de invernia, tecendo com mãos de fada bonitas obras executadas à luz mortiça dum candeeiro de petróleo.
Quero, agora, prestar uma simples homenagem ao elemento feminino que me antecedeu e que me legou o fruto da sua habilidade e de muitas horas de trabalho.
Assim, aqui, apresento-vos a renda de gancho que, inicialmente, era feita com um simples gancho, dos usados pelas mulheres, para prender o cabelo armado em carrapito no alto da cabeça ou mais abaixo, sobre a nuca.

Nalgumas localidades do Alentejo, em Peniche, em Vila do Conde, ainda é possível encontrar algumas artesãs interessadas em preservar a beleza das rendas e ainda se podem admirar lindos exemplares.





