
Recordo de, quando era criança, me ensinarem aquelas lengalengas ou trava-linguas, da mais simples à mais difícil e que eu, menina brincalhona, mas sempre ávida de novas aprendisagens, tentava decorar e dizer sem me enganar.
Com a experiência fiquei a saber que teria de dizer devagar pois se as dissesse rapidamente saía asneira e eu iria corar envergonhada, como era costume. Ainda me lembro de algumas:
O rato roeu
A rolha da garrafa
Do rei da Rússia
Debaixo da pipa está uma pita
Pinga a pipa, pia a pita,
Pia a pita, pinga a pita.
Esta burra torta, trota
Trota, trota a burra torta,
Trinca a murta, e murta brota,
Brota a murta ao pé da porta.
E por aí fora.
Conjuntos de palavras, sem significado nenhum para mim mas, que eram aprendidas naquela cantilena tal como se aprendia a tabuada e que tão bem resultava.
Hoje, tentarei passar aos meus netos o saber articular esta nossa difícil lingua mãe, tal como me foi ensinado.
Entendo que nos cabe a nós, mais velhos, preservar todos os valores, incluindo mesmo, os mais populares, desta nossa lingua tão rica em sonorização.
Assim, juntei ao dois rapazes mais velhos (um com 7 e outro com 6 anos) e, disse-lhes este trava-linguas que tem para mim um som muito especial:
O tempo perguntou pró tempo, quanto tempo o tempo tem, o tempo respondeu pró tempo, que o tempo tem tanto tempo, quanto o tempo tem também.
Ficaram deliciados, riram imenso, pediram para repetir e ficou quase decorada a lenga-lenga.
Para terminar deixo-vos com esta:
Sabendo o que sei e sabendo o que sabes e o que não sabes e o que não sabemos, ambos saberemos se somos sábios, sabidos ou simplesmente saberemos se somos sabedores.
Divirtam-se e
Sejam Felizes!