quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Ferrugem




Objeto esquecido, isolado, abandonado mas sempre útil quando as chamas irrompem por perto. Foi talvez a falta de manutenção, o desleixo, o deixa andar que deu a esta boca de incêndio completamente enferrujada o aspeto de velho, dir-se-ia inoperável.

As peças enferrujadas partem facilmente, deixam de ser úteis, deitam-se fora, substituem-se por outras novas prontas a corresponderem às nossas necessidades imediatas e, rapidamente, esquecemos as outras que já não nos servem.  Não nos ocorre que se estragaram, possivelmente, pela nossa incúria, pela falta das limpezas que deveriam ter sido feitas atempadamente e não foram, pela falta duma boa utilização.

Será, talvez pelas mesmas razões, pela falta de atenção, de cuidados que os relacionamentos entre os humanos se deterioram, apresentam ferrugem, quebram, poem-se de lado?


7 comentários:

Catarina disse...

Parece mesmo inoperável.
Nunca vi um assim em Toronto. Duvido mesmo que exista.

✿ chica disse...

Linda tua foto e bela tua reflexão sobre a ferrugem.,Gostei@! bjs, chica

Elvira Carvalho disse...

Penso que sim amiga. Estamos na era do virtual, ninguém tem tempo para o pessoal.
Um abraço e bom fim de semana

Miss Smile disse...

Excelente pensamento. Todas as coisas, mesmo as invisíveis, como a relações humanas, precisam de manutenção e cuidados. Precisam, acima de tudo, de ser estimadas.

Um beijinho

Ana Freire disse...

Sem qualquer dúvida, Beno!...
Uma belíssima analogia entre a ferrugem dos objectos e a ferrugem das relações humanas... mais acentuada nesta era do virtual, que alimenta a superficialidade das relações humanas... as pessoas aproximam-se... mas na realidade não se tocam...
Passando por aqui, enquanto a net deixa... sempre problemática, aqui no local onde me encontro... ainda de férias... que começaram com algum atraso... mas visitando os blogues... sempre que se proporciona e que a net permite...
Aproveito para deixar um beijinho... e já agora, vou espreitar, o que andei perdendo por aqui, entretanto...
Ana

Fê blue bird disse...

Excelente comparação. Não devemos deixar nada ao abandono.

Um beijinho

Graça Pires disse...

É mesmo assim que acontece. O que não é cuidado estraga-se, enferruja. Gostei da analogia com os afectos...
Um beijo, amiga, Benó.